Estratégias para a Competitividade Global da Cadeia Têxtil e de Confecção Brasileira
Nas últimas décadas quase 3 bilhões de trabalhadores de China, Índia, Rússia e Europa Oriental entraram na economia global – metade da força de trabalho mundial –, criando um grande choque na oferta de mão-de-obra, provocando um grande impacto no desemprego e nos salários de uma imensa massa de trabalhadores ao redor do mundo. Este processo de globalização está apenas em seu início. Estima-se que a China deverá criar mais de 20 milhões de empregos por ano ao longo da próxima década para absorver uma multidão de pessoas do meio rural, quando ocorrerá a transição dos modelos de economia agrícola para industrial e, finalmente, para um modelo econômico baseado em conhecimento e serviços. Este processo acelerará ainda mais os efeitos nocivos de uma corrida para a redução contínua de custos – e de ganhos - entre países fornecedores.
Além de reduzir os níveis de qualidade de vida de trabalhadores, a pressão econômica do modelo asiático de competição elimina empresas e invade mercados. Este cenário ameaça as estruturas socioeconômicas de países cujas políticas industriais não foram suficientemente preparadas para competir na Nova Ordem Global, expondo seus mercados internos e ameaçando setores intensivos em mão-de-obra de desaparecimento. Recente pesquisa da CNI revelou que 75% das empresas têxteis e 66% das de vestuário entrevistadas observaram queda de participação nas vendas para o mercado interno devido à concorrência com produtos chineses.
No Brasil, grandes produtores têxteis, grandes varejistas e pequenas e médias empresas de moda e de confecção vêm adotando estratégias isoladas para atuar no mercado global, ou pelo menos para atender os níveis de competitividade desse mercado. Uma nova ordem emerge para a cadeia de valor têxtil e de confecção brasileira. Para garantir a sinergia das diferentes visões de futuro que buscam afirmação nessa nova realidade econômica, empresários, governo e academia podem contribuir efetivamente se atuarem de forma integrada no novo sistema, ordenando e regularizando as relações internas e externas do setor.
Com a finalidade de apoiar a cadeia têxtil e de confecção nacional em sua luta pelo enfrentamento dos desafios da globalização, o SENAI-CETIQT e a ABIT estão realizando um projeto com financiamento da FINEP em que os expoentes de toda a cadeia de valor T&C nacional apresentarão suas visões de futuro. Empresários de grandes empresas de todos os elos da produção, grandes varejistas, designers e formadores de opinião estão contribuindo ativamente no projeto, oferecendo seu ponto de vista sobre as principais questões de futuro da cadeia. Além da visão empresarial, o estudo conta ainda com as opiniões de grandes especialistas e de pesquisadores nacionais e internacionais sobre as possibilidades de desenvolvimento de nossa capacidade de competir. Um seminário a ser realizado em maio deste ano na sede da ABIT contará com a participação dos principais órgãos governamentais, empresários e instituições de pesquisa. No evento serão abordadas as principais questões para a competitividade de nossa cadeia, resultando em uma carta de compromissos a serem assumidos para proteger e impulsionar a participação do setor na cadeia global de valor, o que pode representar a geração de renda e de novos e melhores empregos para milhares de brasileiros.
Fonte: Abit
DICAS DE PRODUÇÃO NA CONFECÇÃO
Não só em tecnologia as confecções têm mudado, como também no perfil de seus chefes, encarregados e líderes de um modo geral. Talvez essa seja a mudança mais importante que essas empresas devem passar.
Antigamente, a encarregada de produção da costura de uma determinada empresa, por exemplo, deveria ser aquela pessoa que “entendesse” simplesmente do processo produtivo, ou seja, aquela que sabia a seqüência operacional da maquina, assim como também deveria saber costurar. Isso era o bastante para atender essa necessidade de atuar como “encarregada de produção”.
Hoje essa encarregada está em vias de extinção, pois a encarregada de produção deverá ser aquela que reúna outras qualidades que outrora eram desprezadas:
• Deverá ser líder
• Saber motivar a equipe, através de resultados
• Saber aproveitar de melhor maneira possível a mão-de-obra
• Equilibrar as diferenças das operações de um produto
• Raciocínio rápido
Liderança
Para ser um lider, o novo funcionário deve saber que acima de equipamentos e processos estão as pessoas. Ela chefiará “gente” e gente precisa ser tratada como gente. Não existe mais lugar para encarregadas “xerifes”, aquelas que acham que ”chicote” é o melhor remédio. A verdadeira encarregada de produção deve conquistar a equipe, passar confiança, saber aproveitar da melhor maneira o potencial dessa equipe. Muito poderíamos falar sobre liderança, mas fica claro que o grupo de costureiras está esperando um que seja justa, transparente e acima de tudo, assumindo erros e acertos do grupo.
Motivação
A nova encarregada é aquela que busca na motivação os bons resultados. Ela sabe “puxar” produção, seu entusiasmo é contagiante e não se intimida diante dos problemas, sempre está ”levantando” a moral do seu grupo, comemorando as vitórias, “respirando” números e buscando metas traçadas. Ela cobra, dá ênfase à resultados e consegue transmitir essa filosofia à sua equipe.
Mão-de-Obra
Para aproveitar a mão-de-obra, uma encarregada de produção eficiente deve conhecer profundamente cada uma das costureiras para que consiga colocar a pessoa certa no lugar certo. Muito embora uma das características da nova costureira seja a polivalência, é preciso saber onde cada costureira se encaixa melhor.
Equilibrar as operações
Provavelmente essa é a tarefa mais importante que a encarregada precisará praticar. Saber equilibrar a diferença dos tempos das operações. É muito comum verificar no meio das máquinas de costura acúmulos de serviços. Isso caracteriza a falta de equilíbrio no processo. É óbvio que as operações mais rápidas necessitam menos minutos, operações mais demoradas mais minutos, para serem concluídas. Geralmente, a encarregada, sem visão, acaba colocando cada costureira para fazer as operações na mesma quantidade de minutos, o que ocasiona o acúmulo a que nos referimos acima. Tudo isso só será possível evitar se essa encarregada “estudar” o modelo em seu processo. Analisar os tempos de cada operação, não permitir que uma operação seja feita em maior quantidade que outra.
Vejamos o produto abaixo:
No exemplo verificamos que a operação 4 (gargalo) limitou a produção do Produto A em 30 peças por hora. De nada adianta fazermos 120 na 1ª, 60 na 2ª e 80 na 3ª, se a operação 4 só liberará para a 5ª operação 30 peças.
Seria mais inteligente fazermos 30 peças em todas as operações e assim reduzir a necessidade de mão-de-obra. Nesse caso, as costureiras trabalhariam (com sua polivalência) somente os minutos necessários para realizar 30 peças em cada operação. Certamente a “velha encarregada” colocaria 5 costureiras, cada uma executando uma operação o tempo todo, criando assim aquele acúmulo entre as operações, sem que o resultado final fosse melhor.
Rapidez no raciocínio
A encarregada “moderna” é aquela que administra a produção, ao contrário daquela que no passado executava tarefas que cabiam às costureiras ou ajudantes. Era muito comum encontrar uma encarregada costurando para cobrir ou ajudar uma costureira, ou mesmo tirando serviço de máquinas. Ela acreditava que estava resolvendo um problema, mas na realidade estava deixando de enxergar problemas muito maiores. Pura falta de visão! Essa nova líder deve ter raciocínio rápido, ser dinâmica, tomar decisões imediatas, pois deve ter em mente que o maior inimigo da produção é o relógio.
Portanto para ser encarregada de costura não é o bastante “conhecer” costura, mas muito mais que isso, é necessário ter “escola”, literalmente.
Fonte: jrconsultoria@terra.com.br
Produção com velocidade controlada
As células de produção chegaram hoje a um nível de tecnologia fantástico, o que garante um trabalhar eficiente e padronizado. Leia com atenção e aprenda como tornar sua empresa mais ágil e competente trabalhando dentro de um esquema que muitas empresas consideram 100% garantido.
• Como funciona?
Esta célula, também conhecida como Célula100, usa o processo VC (Velocidade Controlada), que embora parecida na forma visual do layout modular tradicional, difere muito do sistema celular no que se diz respeito ao processo, pois aqui o tempo de espera do lote em cada posto de trabalho é extremamente reduzido.
• Como é este processo?
Todo sistema modular de produção tem como princípio a divisão de tarefas, onde se utiliza, para distribuir as cargas de trabalho das operadoras, os tempos de processo das operações (SAM), e o próprio tempo de processo das operadoras (TO), e o mais interessante nas células, é o reduzido tempo de espera do lote em cada posto de trabalho, chegando até, em alguns produtos, a se eliminar esta espera nestes postos, utilizando um fluxo de produção de peça a peça.O processo da célula 100 é totalmente diferente, a começar pelo balanceamento da célula, que é feito com os tempos padrões a 100%, e a distribuição de tarefas é realizada com os tempos modulados, (lembrando também que podemos ter células com balanceamentos menores, dependendo do nível da eficiência individual das operadoras, (células em crescimento).
• Como é controlado o tempo?
Levantado os tempos e definindo os módulos, cria-se dentro das células as ilhas de trabalho, distribuindo as tarefas para as operadoras dentro de cada ilha,(cada operadora é informada de qual tarefa ela deve executar daquele lote, dentro de sua ilha). Determina-se então o tempo de processo (30 minutos) para que cada ilha termine seu lote de produção e passe adiante.
• Porque funciona?
Todo processo de produção modular implantado e bem sucedido, tem como base a motivação, e é o que o sistema de produção em células proporciona, já que o clima no trabalho fica ainda melhor com as operadoras se envolvendo de forma positiva e conseguindo manter a eficiência padrão de sua célula.
Uma célula que já alcançou o nível de 100 % de eficiência (Célula Ouro) em produtividade dia, não retorna mais, se estabiliza nessa eficiência. São consideradas e identificadas como “Células Bronze” as células que alcançaram a eficiência de 80 %, e como “Células Prata” as células que alcançaram a eficiência de 90 %.
• Como utilizar a premiação para motivação?
São considerados ótimos resultados, pelos padrões da engenharia, as linhas de produção com eficiência média mensal de 70% real fábrica (EF), portanto, é interessante saber que se utiliza a produtividade das células como coeficientes para premiação das operadoras, sempre no critério da tabela de premiação desenvolvida para sistemas de produção celular, que vai de 71% a 100% de eficiência. O premio de produção nada mais é do que um estabilizador das eficiências.
• Como montar uma Célula 100?
Seleciona-se um grupo de operadoras com o mesmo grau de eficiência de polivalência de que as ilhas necessitam para os modelos definidos para essa célula (sabe-se que cada célula deve trabalhar com sua família de modelos, ou seja, cada modelo incluído para se produzir nesta célula encontrará os equipamentos e dispositivos necessário e adequado para sua produção).
Não se acrescenta nem se retira máquinas de uma célula. O equipamento já precisa está definido e à disposição de suas operadoras. É importante que estas operadoras tenham aptidão, ou seja, operadoras que tenham potencial de desenvolvimento, o que é encontrado nas curvas de eficiências individuais e nos testes de avaliação feitos com os métodos já conhecidos.
• Como faço com a quebra de máquinas?
Evidentemente que todo o equipamento destinado a uma célula 100, deve estar em perfeitas condições e adequado para o trabalho, mas quando ocorre um problema, o mecânico da linha se utiliza da máquina reserva, ou seja, há sempre uma máquina reserva, em local pré-determinado, pronta para atender aquele grupo de células. Já a máquina com problema deverá ser enviada á manutenção para que seja consertada.
Não se permite o conserto de máquinas dentro de uma célula, nem em nenhum outro local que não seja na oficina de manutenção, exceto quando o problema não ultrapassar ao tempo de até 5 (cinco) minutos permitidos para ser solucionado, onde, se o mecânico optar em conserta-la na célula, deverá faze-lo consciente, pois estará utilizando de seu tempo disponível, que o permite ser avaliado e também premiado.
• Dos resultados:
Toda esta tecnologia, e outras que envolvem o sistema de produção com velocidade controlada, “Células 100”, nos permitem garantir um elevado padrão produtivo e altos índices de qualidade, e conseqüentemente resultados que surpreendem aos gestores das fábricas em todos os níveis, elevando o grau de satisfação das operadoras e de todos os envolvidos no processo.
Fonte: pr@bol.com.br
Setor têxtil espera vender 8% mais no outono
Lojas apostam em peças mais leves na coleção de outono e inverno
O outono começou ontem e em muitas lojas de Campo Grande as peças de verão já perderam espaço para as de meia-estação. As indústrias do vestuário de Mato Grosso do Sul apostam em uma alta de 6% a 8% nas vendas das peças da coleção outono/inverno este ano em relação a 2006, segundo o presidente do Sindvest (Sindicato da Indústria do Vestuário), José Francisco Veloso. Dentro desta perspectiva, afirma, é que a produção está aumentando.
Quanto aos preços, afirma que por se tratar de moda são muito variáveis, mas que, em geral, houve aumento de 10% nos tecidos que podem ou não ser repassados conforme o fabricante. Veloso afirma que os fabricantes esperam que o inverno seja mais rigoroso, mas, considerando o clima do Estado, apostam em peças de tecidos menos pesados para a estação.
Nas lojas, as peças de meia-estação já tomam conta das vitrines. Para desovar coleções antigas e dar espaço às novas, lojas do Shopping Campo Grande promoveram há duas semanas o Ponto Mix, que liquidou peças com descontos de até 70%. Já as lojas do centro, farão o Centro Mix, no dia 15 de abril.
A meteorologia prevê um inverno seco este ano. Embora as madrugadas já estejam mais frias, a previsão é que somente em maio as massas polares entrem em Mato Grosso do Sul baixando significativamente os valores dos termômetros.
Varejo – No varejo o clima é de otimismo em relação às novas coleções. Rodrigo Wesley é gerente da Damyller. Ele disse que as peças de meia-estação começaram a chegar, mas que a procura ainda é tímida. Espera crescimento de vendas de 5% e diz que a preferência é por peças intermediárias e que o estoque não deve ter muitos casacos pesados, devido ao inverno mais ameno do Estado. As roupas vêm de Santa Catarina.
Na Bumerang, que tem roupas produzidas no próprio estado, mas lavadas em Maringá (PR), a expectativa é de aumentar em 30% as vendas. Para isso, afirma a gerente da loja da rua 14 de julho, Tânia Costa de Oliveira, desta vez está apostando mais nos manequins femininos, um nicho menos aproveitados em outras vezes.
Thiago Toldato de Lima, gerente da Jet Line, disse que a procura pela coleção de outono inverno já começou, mas que deve aumentar a partir de abril. “Em janeiro, fevereiro e março a procura não é muito grande, porque as pessoas têm muitas contas de início de ano para pagar”, argumenta.
Otimista, ele acredita em aumento de vendas de 30% a 40%. Para chamar a clientela a loja, que vende peças produzidas no Estado, está apostando em cores e lavagens diferenciadas.
Fonte: campograndenews
Presidente do Sindivest/MS será nomeado membro do CDI - Conselho de Desenvolvimento Industrial de MS
André encaminha nomes para nova composição do CDI
O governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB) encaminhou à Assembléia Legislativa mensagem com nomes indicados para nova composição do CDI (Conselho de Desenvolvimento Industrial do Estado de Mato Grosso do Sul ). O nomes precisam ser aprovados pelo Legislativo.
Os indicados como membros efetivos são representantes da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo,Teresa Cristina Corrêa da Costa Dias e como suplente João Carlos Krug; da Secretaria de Estado de Fazenda, Gilberto Cavalcante e suplente Adilson Carlos Batista; Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência Social e Economia Solidária, Cícero Ávila de Lima e suplente Vanessa Jamile Marques Mendes dos Santos; da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul, Isaías Bernardini e suplente José Francisco Veloso Ribeiro; da Federação do Comércio do Estado de Mato Grosso do Sul,José Alcides dos Santos e como suplente Fernando Camilo de Carvalho; da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso do Sul, Ademar da Silva Júnior e como suplente Eduardo Correa Riedel; da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul, Alcemir Remelli e suplente Cleoni Bortolli Salviano; da Federação dos Empregados no Comércio e Serviços do Estado de Mato Grosso do Sul,Valdir Fernandes e suplente Luiz Carlos Ton Maynard de Oliveira Júnior; da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Mato Grosso do Sul, Wilson Rodrigues e como suplente Geraldo Teixeira de Almeida. Além disso foram indicados membros consultivos.
Fonte: campograndenews
Indústrias de MS negociam produção de uniforme escolar
O Sindivest/MS (Sindicato das Indústrias do Vestuário, Tecelagem e Fiação de MS), Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), Senai e Sebrae negociam com a prefeitura de Campo Grande e o governo do Estado para que os uniformes escolares das redes municipal e estadual de ensino passem a ser produzidos por indústrias locais.
A informação é do presidente do Sindivest/MS, José Francisco Veloso. A idéia é convencer que, ao comprar os kits dentro do próprio estado, o poder público incentiva a economia local. Desde 1992, segundo ele, há convênio com o governo na produção dos uniformes de policiais militares, bombeiros e policiais florestais.
Somente para a Reme seriam produzidos 85 mil kits. A entrega ocorre em fevereiro, mas a produção, afirma Veloso, tem de ter início com pelo menos cinco meses de antecedência. Hoje existem no Estado 160 empresas aptas à produção de uniformes, das quais 86 em Campo Grande.
Fonte: http://www.campograndenews.com/ultimasnoticias/view.htm?id=371654#Scene_1
Prefeitura entrega escola para 1.500 alunos no Vida Nova II 
Com investimentos da ordem de cerca de R$ 3,5 milhões e área construída de 2.600 metros quadrados, o prefeito Nelsinho Trad acompanhado de outras autoridades inaugurou na manhã desta segunda-feira (19.03) a Escola Municipal Nerone Maiolino, no bairro Vida Nova II. Com esta escola, a Rede Municipal de Ensino de Campo Grande conta agora com 87 estabelecimentos de Ensino Fundamental. Na escola estão matriculados 1400 alunos, mas tem capacidade para abrigar até 1.500 estudantes. São 21 salas de aulas, sala de multimeios, biblioteca e ginásio poliesportivo.
Em discurso, o prefeito Nelsinho Trad explicou que os investimentos em educação são prioridade na sua administração. “Toda administração que quer transformar a sociedade precisa começar pela educação. Esse é o nosso objetivo. Este é um projeto magnífico que muito nos orgulha ao se tornar realidade. Com esta escola, a região vai viver essa outra realidade. Aos poucos, Campo Grande vai se tornando exemplo de transformação social”, argumentou Nelsinho.
Para a diretora, Marilena Vilalba Marques Gutierres, o estabelecimento atende uma demanda de famílias de sete bairros da região. “Com esta escola, cerca de cinco mil famílias de bairros próximos estão sendo beneficiados. São pessoas dos bairros Vida Nova I, II e III, além do Tarsila do Amaral, Nova Lima e outros da proximidade. Pessoas da comunidade local, que estavam tendo de se deslocar quilômetros para levar os filhos até uma escola, agora com esse prédio lindo e moderno, estamos tendo condições de atender com qualidade todas estas pessoas, graças ao prefeito Nelsinho, que sempre prioriza a educação. Todos estamos muito felizes” disse a diretora.
A dona de casa Geocinéia Pereira da Silva, que mora no bairro Vida Nova II, essa mudança agora é uma realidade na vida dela e do casal de gêmeos de seis anos que está freqüentando a escola. “Antes, precisávamos sair de casa pelo menos quarenta minutos mais cedo para chegar a tempo na escola João Cândido, no Jardim Anache, onde as crianças estudavam. Agora, com esta escola nova, tudo está muito mais fácil. Moramos há duas quadras da escola e meus filhos não reclamam mais do cansaço e da distância. Agora eles estão animados com uma escola novinha e muito bonita. O prefeito Nelsinho está de parabéns por pensar em todos, até nos que moram longe de tudo, como nós aqui”, desabafou dona Geocinéia.
Entre os estudantes, Marli Cristina de Oliveira, de 11 anos, aluna da terceiro ano, era uma das mais animadas. “Eu já estudei em quatro escolas, essa é a melhor de todas. É tudo novinho e limpinho, a professora é ótima e o lanche então, eu e meus amigos adoramos, porque é muito caprichado e gostoso”, disse referindo-se à merenda. A escola é uma das cinco do município que estão fazendo parte de um projeto de terceirização da merenda, com alimentos balanceados e dieta elaborada por nutricionistas.
Muitas pessoas participaram da cerimônia de inauguração, que contou com a presença da primeira dama, Antonieta Trad, de vereadores, deputados estaduais, secretariado municipal, além de moradores da comunidade e familiares do homenageado.
O vereador licenciado, atual secretário municipal de Administração, Jorge Martins, autor do projeto que denomina a escola ‘Nerone Maiolino’ explicou a homenagem. “Tive o prazer de conhecer e conviver com esse empresário de visão, que muito trabalhou pelo desenvolvimento de Campo Grande e que, agora, tem nessa escola o seu legado perpetuado em todas as gerações que passarem por aqui. Cada aluno está recendo hoje uma cartilha com a biografia do ‘tio Nerone’, como vamos chamá-lo, para que vocês possam conhecer a história desse líder”, explicou o secretário aos estudantes.
Um dos sete filhos de Nerone Maiolino, Geraldo Maiolino agradeceu a homenagem póstuma ao pai. “Somos uma família que vive hoje o ápice da nossa alegria e encantamento, pelo reconhecimento ao trabalho do nosso querido pai, um empresário, que defendia a educação como meio de inclusão social. Em vida, ele construiu três escolas, a primeira em Corguinho, a segunda na década de 80 no Jardim Los Angeles, que depois passou a ser administrada pela prefeitura e a terceira no Hospital São Julião. Estamos muito agradecidos por essa homenagem”, confessou Geraldo. A esposa do homenageado, a matriarca da família, Maria Etiennette Palhano Maiolino também foi homenageada.
Ainda durante a cerimônia, o prefeito fez a entrega simbólica de kits que estão sendo distribuídos para todos os 105 mil alunos de escolas da Reme e de ceinf . Os kits são compostos de material escolar, além de mochila, duas camisetas, bermuda e tênis reforçado. Representando a comunidade, a dona de casa Adélia Anunciação de Oliveira agradeceu ao prefeito pelos benefícios recebidos. “Em nome de todos os responsáveis por estes alunos, quero agradecer ao nosso prefeito Nelsinho por essa obra maravilhosa e toda a estrutura e incentivo que ele e sua equipe têm garantido aos nossos filhos. São ações que vão ficar para sempre nas nossas lembranças”, disse a líder comunitária.
Fonte/Autor:Neyla Godoi Mtb/SP 41.898
Foto: Márcia Gouthier/ASN
Os empresários brasileiros vão receber informações sobre a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas pelas ondas do rádio. A partir do dia 2 de julho e até o dia 28 de agosto, mais de 500 emissoras do Brasil inteiro – entre rádios universitárias, comunitárias e outras – vão transmitir o programa Sebrae Responde Lei Geral, parceria da Instituição com a Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed).
O Sebrae Responde Lei Geral será composto de 40 programas, apresentados pelo ator Roberto Bomfim e com a participação de quatro técnicos do Sebrae: André Spínola, consultor do Sebrae Nacional; Alessandro Machado, consultor do Sebrae no Rio Grande do Sul; Silvério Crestana, gerente de Políticas Públicas do Sebrae em São Paulo; e Andréia Crocamo, gerente de Políticas Públicas do Sebrae no Rio de Janeiro. A coordenação das gravações é de Nelia Del Bianco, também consultora do Sebrae Nacional.
O programa faz parte de uma série de ações do Sebrae para levar aos empresários informações sobre a Lei Geral. A instituição também vai promover uma campanha para divulgar o Sebrae Responde Lei Geral.
A produção do programa tem como base as questões mais freqüentes e importantes que envolvem a Lei Geral. Empresários de todo o País, de vários setores, contribuíram com perguntas, respondidas pelos consultores.
A Lei Geral já está em vigor, exceto o capítulo tributário que terá vigência a partir de 1º de julho. Esse capítulo inclui o Simples Nacional, ou Supersimples, que significará menos burocracia, por conta dos pagamentos em um único documento, e redução de alíquotas. O novo sistema reunirá a arrecadação de tributos federais, estaduais e municipais.
Empresas que já fazem parte do atual Simples não precisam de nenhum procedimento para migrar ao Supersimples. As que forem abertas a partir de 1º de julho já integrarão o novo sistema. Cerca de 300 mil empresas que não podiam ingressar no Simples poderão participar do novo sistema, mas terão de preencher uma ficha da Receita Federal, no período de 1º a 31 julho; mais informações no site www.receita.fazenda.gov.br .
Dúvida freqüente
Segundo André Spínola, a pergunta mais comum dos empresários diz respeito à redução das alíquotas no Supersimples. “Quem já está no Simples terá uma redução média de 20% a 30%. Dependendo do estado, como naqueles da região Norte e Nordeste, a redução no pagamento de impostos poderá chegar a 60%”, responde. “Já quem não pertence ao Simples poderá ter uma diminuição de até 70%”, completa.
Para Spínola, o programa vai desempenhar um papel fundamental ao levar aos empreendedores de micro e pequenos negócios informações de enorme utilidade sobre a Lei como, por exemplo, os trâmites necessários para os procedimentos, os prazos e a quem recorrer.
Na opinião de Alessandro Machado, o programa tem como um de seus objetivos estimular os empresários a buscar seus direitos. “A lei foi aprovada. Agora, precisamos fazer com que ela seja conhecida e regulamentada”, diz. “O Sebrae Responde Lei Geral incentiva o empresário a procurar seu prefeito, seu secretário, o Sebrae e outras instituições para se informar e exigir o cumprimento da Lei”, afirma.
Alessandro Machado assinala que o programa faz parte do começo da Lei Geral. “A gente não deve achar que a partir de julho tudo será resolvido. Há estados e municípios que regulamentarão a Lei antes deste prazo; outros farão isso até o final do ano; e outros, em 2008 ou adiante”, observa. “O que precisamos é que o empresário esteja bem informado, para que possa participar desta luta; e o programa se insere neste objetivo”.
Mais informações
No estúdio de gravação, o consultor Alessandro Machado, um dos quatro envolvidos com o projeto, responde a algumas questões dos empresários e dá declarações sobre Lei Geral. Leia alguns trechos da gravação:
União empresarial - “O empresário precisa buscar seus direitos e ser ouvido. Quando ele se une a outros empresários, há mais chance de isso acontecer. Ele deve procurar os sindicatos, associações e conselhos representativos para dar voz aos seus anseios. A aprovação da Lei Geral não veio a pedido de uma única pessoa, mas dos esforços de milhares de empresários”.
Contadores - “O papel do contador neste contexto é muito importante. Sabemos que quando o empreendedor quer criar seu negócio, ele primeiro procura um contador. O Sebrae firmou uma parceria com a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon) para capacitar cerca de 25 mil contadores sobre a Lei Geral”.
Fonte: www.ms.sebrae.com.br
Ivan Ramalho participa de reunião na ABIT
O secretário-Executivo do ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Ivan Ramalho, participou da reunião Plenária da ABIT, no dia 15 de março, na sede do sindicato. Entre as ações do governo brasileiro em defesa da indústria nacional, Ramalho comentou o provável aumento da Tarifa Externa Comum (TEC) para o teto máximo firmado junto à OMC (Organização Mundial de Comércio) que é de 35%. Até então, a tarifa máxima praticada girava em torno de 20%.
Ivan Ramalho informou que o MDIC está transformando o pleito setorial da ABIT/Sinditêxtil-SP, e também dos setores de calçados e móveis, em linhas técnicas específicas da TEC. Ele acrescentou que, de acordo com o ministro Luiz Fernando Furlan, o governo submeterá a proposta ao Grupo do Mercado Comum (GMC) do Mercosul, antes do fim de abril e que a medida será implantada em 90 dias.
Também participou da reunião, o presidente do Sindivest/MS, que é diretor regional da Abit em MS e que na oportunidade tratou de assuntos de interesse do setor.
Fonte: ABIT
Clipping Online ABIT- edição de 15.03.2007
--------------------------------------------------------------------------------
Diário de Pernambuco - Recife, 11/03/2007, Economia, B-9
Têxtil
As portas do comércio exterior se abrem para as empresas do setor do vestuário do Estado com a II Rodada de Negócios do Programa Texbrasil, promovido pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). O evento, coordenado pelo Sindicato das Empresas do Vestuário do Estado de Pernambuco (Sindivest) e pela Fiepe, acontece nestas segunda e terça-feiras, no 7º andar da Fiepe. Informações: (81) 3241.1226.
Estado de Minas - BH, 12/03/2007, Economia, 11
Os pontos fracos do dragão chinês
Geórgea Choucair
A força do dragão chinês no comércio mundial é incontestável. Mas, às vezes, também falha. A China enfrenta alguns gargalos nas exportações e as empresas nacionais estão investindo em nichos onde os chineses esbarram em barreiras para avançar. A distância, a dificuldade em cumprir prazos, a produção só em alta escala e restrições na reposição de estoque são alguns pontos fracos dos chineses que, se devidamente explorados, podem garantir fôlego aos fabricantes nacionais na briga contra o dragão. Com baixo custo de produção e preços altamente competitivos, os produtos chineses invadiram o Brasil e ameaçam diversos segmentos industriais do país. Frear o crescimento das mercadorias da China nas prateleiras brasileiras é tarefa complexa. Mas o dragão não é imbatível. Prova disso é que as exportações brasileiras e mineiras avançaram em setores em que a China é reconhecidamente mais competitiva. No segmento de eletroeletrônicos, as exportações do Brasil cresceram 16,8% no ano passado e as de Minas Gerais aumentaram 19,9% em relação a 2005, segundo levantamento da Fundação João Pinheiro (FJP).
No ramo de brinquedos, jogos e artigos esportivos, as exportações mineiras chegaram a subir 177,4% no período. Até mesmo as confecções mineiras, que enfrentam forte concorrência da invasão chinesa, não tiveram queda de venda ao mercado externo em 2006. "Mesmo em setores onde a competitividade chinesa é mais forte, como no de eletroeletrônicos, tanto o Brasil como Minas Gerais aumentaram as exportações no ano passado", afirma a economista Elisa Maria Pinto da Rocha, da FJP. A entrada em mercados antes pouco explorados e a incorporação de inovações tecnológicas, diz, são algumas estratégias das empresas para não perder mercado para os chineses.
A indústria de calçados teve queda nas exportações no Brasil (1,1%) e em Minas Gerais (6,2%) no ano passado, em relação a 2005. Mas os segmentos voltados para as classes A e B não estão sofrendo com a invasão chinesa, segundo Gilson Oliveira, vice-presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Minas Gerais (Sindicalçados- MG). "Os produtos de moda mudam muito rápido. As alterações são incompatíveis com os prazos longos de importação dos chineses", afirma Oliveira. Os calçados chineses demoram cerca de quatro meses para chegar ao Brasil entre a data do pedido e a entrega. "A logística prejudica as encomendas", diz Oliveira. O pólo de calçados de Nova Serrana começou recentemente a produzir para os consumidores das classes A e B. Um grupo de nove empresas da região criou a marca "Nova Serrana Conceito", que terá sempre a assinatura de um estilista reconhecido. "Esse público consome marca, que os chineses não conseguem oferecer", diz Júnior César Silva, vice- presidente do Sindicato Intermunicipal da Indústria de Calçados de Nova Serrana (Sindinova).
Nova Serrana conta com 824 indústrias que produzem principalmente para as classes C, D e E. Esse segmento sofre mais com a concorrência. "Eles têm preços mais competitivos. Mas muitos calçados são de moda. Além disso, as encomendas não são confiáveis. Muitas vezes, enviam uma amostra e o produto que chega é diferente", afirma Silva.
Têxtil demite 150 mil ao ano
Nichos específicos, como roupas de moda, eventos e promoções são alguns segmentos nos quais a China tem dificuldades para emplacar vendas. "Esses segmentos exigem uma agilidade maior da indústria e o prazo nem sempre é cumprido pelos chineses. Além disso, quando há um problema na mercadoria entregue, não há como retornar o produto", afirma Flávio Roscoe, presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis e de Malhas de Minas Gerais e diretor regional da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). É preciso levar em conta, no entanto, que a indústria têxtil é uma das grandes prejudicadas com a invasão chinesa. Todos os meses desembarcam toneladas de tecidos e roupas chinesas no Brasil, que chegam a custar até sete vezes menos que o produto fabricado aqui. Com menos fôlego, a indústria brasileira perde vendas e tende a demitir. "O Brasil tem perdido cerca de 150 mil empregos ao ano em função da importação de produtos chineses. As perdas são grandes, pois competimos no mercado interno e externo", diz Roscoe.
A fábrica mineira Vamp Moda Praia e Academia produz biquínis e roupas de ginástica e sofreu menos com a invasão chinesa. No ano passado as vendas da empresa cresceram 10% em relação a 2005. "A nossa moda é mais especializada. O biquíni brasileiro é um objeto de desejo mundial. E a roupa de ginástica deles é diferente da nossa. Não tem a mesma beleza", diz Ângelo Rabello, diretor da Vamp. Em 2003 e 2004, as malharias de Monte Sião, no Sul de Minas, foram duramente prejudicadas com a concorrência da China. Diversas redes de grande porte cancelaram as encomendas das fábricas mineiras e começaram a comprar dos chineses. No ano passado, as magazines retomaram as encomendas nas fábricas do estado. "Os lojistas ficavam restritos a um prazo de entrega dos chineses que , muitas vezes, era comprometido. Além disso, eles não conseguem cumprir com a demanda completa de cor e tamanho", diz João Tadeu Machado, presidente da Associação Comercial e Industrial de Monte Sião. (GC)
No setor de jóias, uma briga feroz
Explorar a pedra brasileira e materiais como palha, madeira e semente nas bijuterias e jóias nacionais. Essa tem sido a estratégia das indústrias do Brasil para conseguir mercado no exterior e enfrentar a concorrência do dragão. Nesse segmento, as indústrias da China são competidoras ferozes. "A nossa exportação tem crescido na exploração de alguns nichos. Mas isso não é suficiente para a indústria. Há uma distorção grande na realidade de cada país e as condições de competições são muito desiguais", afirma Écio Morais, diretor do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM). A China, diz, ainda não tem um design inovador, mas caminha para o aperfeiçoamento de seus produtos. "O made in China antes era associado a produto de baixa qualidade. Isso vem mudando", observa Morais. O setor de jóias e bijuterias, por sinal, enfrenta um problema curioso: é aqui em Minas que os chineses buscam o cristal para fabricar seus produtos e exportar para o mundo inteiro, inclusive Brasil.
Dados da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) mostram que as importações mineiras de bijuterias chinesas cresceram 457% do primeiro semestre de 2003 para o primeiro semestre de 2006. Os preços são imbatíveis: produtos chineses feitos com pedras brasileiras chegam ao Brasil 35% mais baratos que os fabricados no país. Um fio de turmalina preta fabricado no Brasil, por exemplo, custa R$ 10. Os chineses conseguem vendê-lo aqui por R$ 7. Em Minas, os chineses adquirem pedras principalmente na região de Curvelo e Corinto, região Central, e no Norte do estado.
Em Curvelo, a produção anual oficial de cristais é de 900 toneladas, movimentando cerca de US$ 10 milhões por ano. A estimativa é que os fabricantes da China ficam com 90% da produção. (GC)
Diário de Pernambuco - Recife, 11/03/2007, Economia, B-2
Macarius costura história de sucesso no exterior
De ponto em ponto, a Macarius costura sua história no Brasil e exterior. A renascença é a base da indústria pesqueirense de moda feminina, que gera trabalho e renda para artesãos da região. O investimento em capacitação e maquinário tem possibilitado novas leituras da matéria-prima artesanal. A marca abastece não só o mercado local. Mensalmente, parte da produção é comercializada com compradores dos Estados Unidos.
"Sempre fui um admirador da arte e da cultura de Pernambuco. Além disso, ninguém, no mundo, tem a renascença", justifica o empresário Antônio Macário, ao falar da escolha do artesanal. O ex-bancário está no setor há sete anos, produzindo, além de moda feminina, infantil, artigos para cama, mesa, banho e decoração. "Tudo começou na Renarte, minha primeira empresa, que também usa a renascença". A produção mensal das duas indústrias é 1,4 mil peças, sendo 700 para feminino e infantil.
Para o mercado externo são 300 peças para bebês, por mês. Os Estados Unidos consomem boa parte desse volume. As coleções para exportação recebem tratamento diferenciado para atender o público americano. "São clientes de lojas especializadas em moda infantil, localizadas em Miami, Nova York e Los Angeles", conta Macário. "Nas duas marcas eu brigo para que outros produtores não levem a nossa matéria-prima de forma indiscriminada, pagando pouco e exigindo qualidade ruim".
O empresário planejava empreender mais em moda feita a partir da renascença, quando recebeu um convite do Sebrae/PE, para desenvolver uma coleção feminina. "Por indicação do órgão, trabalhei com o estilista Eduardo Ferreira, para criar e executar as peças. O objetivo era dar uma nova leitura ao tradicional", lembra Macário. O resultado foi exibido em desfile no Pólo Comercial de Caruaru. "Quando isso aconteceu, tive que adequar a fábrica. Atualizei o maquinário comprando novos equipamentos e contratei mais gente. Aumentei em cerca de 80% a capacidade de produção". O estilista permanece na equipe, assinando a consultoria de estilo.
Segundo o empresário, no início da Macarius, havia cinco empregados diretos e 40 indiretos. Hoje, são 15 e 80, respectivamente - a maioria rendeiras. "Centrei meus recursos na capacitação. Tanto eu, quanto a mão-de-obra das fábricas estão permanentemente se reciclando. Para ampliar a qualificação, tenho buscado consultorias. Recentemente, trabalhamos com Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) e Apex (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos), além do Sebrae/PE", afirma Macário. "O público a quem eu vendo é extremamente exigente e sofisticado".
Uma das principais vitrines da marca tem sido o Fashion Rio, evento de moda nacional que acontece no Rio de Janeiro. "Participamos pela primeira vez no ano passado, no Fashion Business, espaço para comercialização. Este ano, continuamos o trabalho, apresentando a coleção de outono/ inverno. É uma porta para compradores de todo o brasil e de fora". Ainda neste mês, a marca participa do Pernambuco Fashion e da Rodada de Negócios do Pólo de Confecções, evento com cerca de 300 compradores.
Jornal do Commercio - RJ, 12/03/2007, Economia, 1
Queda do dólar prejudica a geração de empregos
A farra das importações nos últimos três anos freou o emprego industrial no País. A conclusão é de uma pesquisa feita pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Desde 2004, quando começou a onda de valorização do real frente ao dólar, a importação de matérias-primas, componentes e produtos industrializados aumentou 45,2%, empurrada pela desvalorização de 26% da moeda americana. No mesmo período, o emprego ficou estagnado (alta de apenas 0,1%) na indústria de transformação, apesar do crescimento acumulado de 10,4% do Produto Interno Bruto (PIB). "Os números indicam que boa parte da expansão da demanda está sendo abastecida por importações, que não criam e até fecham vagas no mercado de trabalho", diz o economista-chefe do Iedi, Edgard Pereira.
Na indústria do vestuário, o emprego caiu 8,8%, enquanto a importação desses produtos cresceu 136,5% de 2004 a 2006. Não é um exemplo isolado. Entre os fabricantes de máquinas e equipamentos para uso industrial e de escritório, incluindo bens de informática, houve redução de 5,6% no pessoal, com ampliação de 53,5% das importações. Na indústria têxtil, a concorrência dos itens de origem estrangeira aumentou 81,8% e as empresas fecharam 0,6% dos postos de trabalho.
"Apenas em 2006 a cadeia têxtil demitiu 100 mil pessoas", diz o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel. Segundo ele, entre 1999 e 2005 o setor mais que dobrou as exportações, que passaram de US$ 1 bilhão para US$ 2,2 bilhões e garantiu superávits sucessivos na sua balança comercial. Em 2006 as vendas externas cresceram 5% e as importações dispararam, o que resultou num déficit de US$ 60 milhões.
Mantidas as condições atuais, o superintendente da Abit estima que a indústria têxtil e de confecção fechará 2007 com saldo negativo de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão, o que levaria ao fechamento de mais de 200 mil postos de trabalho. "O que está sendo feito no País é certamente um crime social cambial", diz Pimentel, que ressalta ainda problemas provenientes da falta de acordos internacionais, importações asiáticas ilegais e alta carga tributária.
Pacote - A diferença entre as taxas de juros no Brasil e no exterior frustrou até agora os objetivos do pacote cambial lançado no ano passado, que permitiu aos exportadores manter no exterior 30% das receitas obtidas com as vendas externas. Oito meses depois do anúncio do pacote, os exportadores estão preferindo trazer para o País 100% dos dólares obtidos e aplicar o dinheiro convertido em reais no mercado financeiro brasileiro, onde os juros são mais altos do que os vigentes no exterior. Quando o pacote foi lançado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, manifestou a expectativa de que ele pudesse ajudar a estancar a tendência de valorização do real frente ao dólar, já que o fluxo de recursos para a economia brasileira seria reduzido.
Agora São Paulo - SP, 15/03/2007, Grana, A-8
Têxteis
O Ipem visitou 90 lojas e fiscalizou 4.308 produtos têxteis. Desses, 46 foram reprovados. As maiores irregularidades foram a inexistência do CNPJ da empresa na etiqueta, falta do país de origem na etiqueta e ausência dos cuidados para a conservação dos produtos.
O Estado de S. Paulo - SP, 15/03/2007, Economia, B-7
Imposto de importação sobe para manter competitividade
Renata Veríssimo
O governo quer aumentar o imposto de importação para proteger setores que perderam competitividade com a valorização do real frente ao dólar. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, anunciou ontem que deve ser elevada para 35% a Tarifa Externa Comum (TEC) para produtos dos setores têxtil e confecções, calçados e móveis. A medida atenderia à reivindicação dos empresários desses setores, os mais afetados pela concorrência dos produtos importados, principalmente da China. Furlan disse que, antes do fim de abril, o governo submeterá a proposta ao Grupo do Mercado Comum (GMC) do Mercosul, e que, na sua avaliação, a medida será implementada em 90 dias. 'Estamos transformando o pleito setorial em linhas técnicas específicas da TEC', explicou. A TEC é o imposto de importação aplicado sobre produtos importados de países fora do Mercosul. Atualmente, a tarifa média desses produtos é de 20%; no caso de móveis, 18%.
Apesar das medidas de apoio a estes setores, que já receberam linhas de crédito especiais do BNDES, Furlan acredita que a indústria já se adaptou ao novo patamar da taxa de câmbio. 'A minha opinião é que os setores se adaptaram e que não haverá mudança no patamar do câmbio no período vindouro', disse o ministro, que participou ontem, na Câmara dos Deputados, de seminário para discutir o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Furlan afirmou que a taxa de câmbio já encontrou uma 'razoável estabilidade' entre R$ 2,10 e R$ 2,20 por dólar.
O ministro disse que o comércio exterior brasileiro continua crescendo de forma vigorosa a despeito da taxa de câmbio, desmentindo previsões catastróficas feitas no passado. Admitiu que ele próprio chegou a acreditar, em 2005 e 2006, que as exportações seriam prejudicadas. No entanto, as vendas externas em 2007 estão crescendo 17% em relação a igual período de 2006. As importações registram alta entre 25% e 27%. Apesar de não admitir crise no comércio exterior em função da perda de competitividade causada pelo câmbio, o ministro disse que é fundamental para o País reduzir os custos de infra-estrutura, ampliar investimentos e a desoneração tributária e diminuir a burocracia.
Nesse sentido, Furlan acredita que o PAC pode colocar o Brasil na rota do desenvolvimento econômico. Mas alertou que, se as medidas do PAC não forem aprovadas com rapidez pelo Congresso, o efeito 'pode ser residual em 2007'. Segundo ele, o impacto pode ser expressivo no segundo semestre, caso as medidas estejam aprovadas até o meio do ano. Caso contrário, os resultados só devem ser sentidos a partir de 2008.
Furlan argumentou que nem o setor privado nem o governo investirão enquanto as regras não estiverem consolidadas. 'Enquanto as medidas estão sendo discutidas, fica um clima de insegurança na vida real. Por isso, é importante a agilização da tramitação das medidas na Câmara', explicou. Segundo o ministro, para que haja crescimento sustentado, é preciso que o País invista 25% do Produto Interno Bruto (PIB). 'Faltam 4% do PIB para serem investidos', disse.
Folha de S. Paulo - SP, 15/03/2007, Dinheiro, B-5
País quer tarifa maior a móveis, calçados e têxteis no Mercosul
Cláudia Dianni
O governo vai pedir autorização aos demais parceiros do Mercosul para elevar para 35% a TEC (Tarifa Externa Comum) de calçados, móveis e têxteis e confecções, para compensar tais setores pelas perdas nas exportações por causa da desvalorização do dólar. De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, Argentina, Uruguai e Paraguai já foram consultados. "Há uma boa possibilidade de implementação nos próximos 90 dias", disse.
A TEC é aplicada às importações de produtos de fora do Mercosul. Dentro do bloco, com exceção de açúcar, automóveis e autopeças, os produtos circulam livre de tarifas. É a TEC que caracteriza o Mercosul como uma união aduaneira. Por isso, qualquer alteração tem de ser consensual entre os sócios, já que muda a competitividade dos produtos do bloco no país vizinho. Em teoria, subir a TEC aumenta a competitividade dos produtos dos parceiros no mercado brasileiro.
Segundo Furlan, a Camex (Câmara de Comércio Exterior) vai analisar um projeto que seleciona os itens de cada setor que terão a tarifa elevada e, até o final de abril, o projeto será submetido à aprovação do Grupo Mercado Comum do Mercosul. Atualmente, a média da TEC é de 20% para calçados e têxteis e de 18% para móveis. A tarifa de 35% é a maior que o Brasil está autorizado a aplicar para produtos industriais, segundo a OMC (Organização Mundial do Comércio). Hoje, apenas as importações de automóveis pagam TEC de 35%.
Furlan disse ainda que outras medidas estão sendo estudadas para aliviar o peso do câmbio valorizado para esses três setores, como redução no custo dos financiamentos do BNDES e novas desonerações de IPI, PIS e Cofins. "Esses setores dependem de insumos internos, são grandes exportadores e empregadores, além de estarem espalhados por todo o país", disse Furlan, que completou: "No início, nossa percepção era que o câmbio criaria um dano profundo às exportações. Mas a maior parte do setor produtivo se adaptou".
Gazeta Mercantil - SP, 15/03/2007, Indústria, C-8
Alpargatas diversifica linha têxtil
A busca por novos mercados para sua área de têxteis industriais deverá render à São Paulo Alpargatas um crescimento de 9% na receita da divisão que no ano passado ficou em linha com 2005 na casa de R$ 100 milhões, segundo informou Cícero Lopes de Barros Júnior. A empresa desenvolveu uma série de tecidos que levarão a marca Locomotiva com os quais pretende entrar no mercado de moda e melhorar os resultados. Os novos itens deverão responder por 5,5% do crescimento esperado para este ano, disse Barros Júnior.
Com os lançamentos, a divisão da Alpargatas pretende diversificar sua produção e alavancar as vendas de tecidos reservados à fabricação de bolsas, calçados, vestuários toldos e coberturas naúticas. No total, serão seis produtos, sendo três de lona locomotiva (Locomotiva Stone, Locomotiva Eco e Locomotiva Performance) e três da linha Night & Day (Night & Day Sign, Night & Day Acrilyc e Night & Day Décor). São tecidos em algodão, juta e cordura. Barros Júnior não divulgou quanto foi investido para produção das novas linhas, mas destacou que os recursos foram destinados para o desenvolvimento de "tecnologia em acabamentos diferentes e equipamentos". "Apesar da tradição de quase 100 anos na fabricação da lona oito, a lona locomotiva, queremos fortalecer ainda mais a marca, oferecendo maior robustez e modernidade", afirmou Barros sobre a estratégia de comercializar materiais específicos.
Para capitanear a rede de clientes e reduzir o impacto da concorrência chinesa no mercado de tecidos, o executivo firmou uma parceria com a designer de bolsas do Brasil Serpui Marie. "Temos o objetivo de tornar nossas lonas e tecidos conhecidos no mercado de moda, além de conquistar fabricantes e lojistas. Desta forma, apostamos na diversificação e no desenvolvimento de produtos com maior valor agregado para atender a demanda das coleções", reinterou. A estratégia de elevar as vendas na divisão, tiveram como base a decisão, em janeiro do ano passado, de diminuir de oito para duas o número de marcas diferentes e assim se valer do peso do nome Locomotiva.
DCI - SP, 15/03/2007, Estilo Pessoal, B-12
200 mil por dia
O Brás, bairro de São Paulo, que ficou famoso no século passado por abrigar grande parte da colônia italiana e que hoje exibe uma mistura de nordestinos, coreanos, chineses e até bolivianos, é também um super polo de moda. Tem cerca de cinco mil estabelecimentos comerciais e 4.200 são de roupa, cama, mesa e banho, gerando 70 mil empregos diretos. Por seus 5 km quadrados de ruas, passam diariamente mais de 200 mil pessoas. E tem um evento anual de moda, voltado mais para o atacado, que já conta com celebridades na passarela.
Fonte: Abit

Foto: Márcia Gouthier/ASN
O processo de mobilização empresarial e política em torno da Lei Geral estão registrados no livro ‘Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas: uma história que veio fazer História’. A publicação foi lançada nesta quarta-feira (14), no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília.
Na solenidade, o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, evidenciou o empenho dos parlamentares como fundamental para a aprovação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 14 de dezembro de 2006.
“É preciso destacar o papel fundamental dos parlamentares na aprovação dessa lei democrática, que cria um ambiente mais favorável aos pequenos negócios, tornando-os mais competitivos e mais lucrativos”, frisou Okamotto. O presidente do Sebrae também elogiou a instalação da Frente Parlamentar Mista das Micro e Pequenas Empresas no Congresso Nacional, que ocorreu conjuntamente ao lançamento do livro. A frente vai acompanhar o processo de regulamentação da lei no Congresso Nacional.
O presidente do Sebrae aproveitou a cerimônia para fazer a entrega simbólica de um exemplar do livro ao deputado federal Carlos Melles. Na época das discussões na Câmara em torno da aprovação da Lei Geral, Melles presidiu a Comissão das Micro e Pequenas Empresas na Câmara.
O lançamento foi prestigiado pelo presidente do Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae, senador Adelmir Santana, representando o presidente do Senado, Renan Calheiros; pelo diretor de Administração e Finanças do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos; pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia; e pelos deputados federais José Pimentel, Henrique Fontana, Virgílio Guimarães; além do senador Renato Casagrande.
Livro
O livro foi escrito pelo jornalista Márcio Metzker, a partir de depoimentos de quem esteve diretamente envolvido com a construção e aprovação da lei. A publicação também reúne artigos de personalidades do mundo político e empresarial que participaram ativamente do processo de mobilização pela aprovação e sanção da lei.
Esse processo de mobilização é relatado em depoimentos de dirigentes e ex-dirigentes do Sebrae, de deputados e senadores e de representantes dos empresários, como os sindicatos e de federação e confederações de micro e pequenas empresas de diversas regiões do País.
Para o jornalista Márcio Metzker, três questões chamaram a atenção durante o processo de produção e edição do material: a construção coletiva em torno da lei, a qualidade dos homens públicos envolvidos no processo e a sinceridade dos depoimentos. “O livro era para ter 15 depoimentos e saiu com 35, devido à riqueza do material”, disse o jornalista após o lançamento do livro nesta quarta-feira (14).
Fonte: Agência Sebrae de Notícias
Brasília – O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, questionou hoje o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, sobre a possibilidade do governo ampliar as desonerações concedidas aos investimentos em bens de capital. "As desonerações previstas no Plano de Aceleração do Crescimento beneficiam uma lista restrita de investimentos. As medidas devem estimular investimentos em todos os setores", afirmou Monteiro Neto, durante reunião da Comissão de Desenvolvimento, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados.
O ministro lembrou que o governo tem feito esforços para desonerar a produção. "O presidente Lula sabe que desoneração não é perda fiscal, mas sim estímulo ao investimento, à produção. Desonerar é dar competitividade à economia", ressaltou Furlan. Ele admitiu a hipótese do governo reduzir a carga tributária para outros setores.
Monteiro Neto lembrou, no entanto, que o prazo de compensação dos pagamentos ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) diminuiu, melhorando a competitividade das empresas. "Os créditos que ficavam retidos por até quatro anos agora podem ser compensados em até 24 meses", afirmou. Para ele, as medidas fiscais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) têm de ter essa efetividade.
O presidente da CNI disse ainda que o país precisa de medidas que ataquem o problema do alto spread bancário - diferença entre as taxas de captação do dinheiro pelos bancos e as cobradas nos empréstimos. "O crédito no Brasil é muito caro. Se é burro tributar o investimento, como disse bem o ministro Furlan, também é pouco razoável tributar o crédito", disse Monteiro Neto. "Essa agenda do spread infelizmente não avançou", complementou.
Durante o seminário, Furlan destacou que a política cambial não mudará. "O regime flutuante é o melhor", afiançou Furlan. "Não vejo mudanças do regime no médio prazo, não há motivos para isso", disse, respondendo aos parlamentares que questionaram o ministro sobre os prejuízos da desvalorização do dólar frente ao real para os exportadores brasileiros.
Ele lembrou que grande parte dos exportadores se adaptou à cotação do dólar frente ao real. Por isso, não há mais motivos para preocupações com a possiblidade do câmbio provocar a queda ou a estagnação das vendas externas. Segundo Fulan, uma das provas disso é o crescimento contínuo das exportações. De janeiro até ontem, a média diária das vendas externas brasileiras cresceram 17% em relação a igual período do ano passado.
Fonte: Agência CNI
CAIXA financia capital de giro para empresas têxteis e de confecção
O Sinditêxtil-SP e a ABIT, ao longo de todo ano passado, trabalharam muito junto às autoridades, primeiro para que a linha de crédito do FAT, criada originalmente para os setores moveleiro e de calçados, fosse estendida ao nosso setor e na seqüência, com a aproximação do seu prazo final, fosse renovada para este ano de 2007.
Atendendo a todos estes nossos pleitos, o Governo Federal autorizou a Caixa Econômica Federal (CEF) a liberar uma linha de crédito especial “PROGER FAT-Giro Setorial”, para atender as indústrias têxteis, de confecção e artigos de vestuário. Os recursos são, como no programa anterior, provenientes do Programa de Geração de Renda do Fundo de Amparo ao Trabalhador e se destinam ao financiamento de capital de giro, com as melhores taxas do mercado.
Os financiamentos do PROGER FAT-Giro Setorial podem ser feitos até o limite de R$ 1,2 milhão, para micro e pequenas empresas com faturamento bruto anual de até R$ 7 milhões, e até o limite de R$ 5 milhões, para médias e grandes empresas, cujo faturamento bruto anual seja superior a R$ 7 milhões. Os encargos financeiros são reduzidos: TJLP + 2,5% a 2,8% ao ano (dependendo do risco da operação) e o IOF com alíquota zero. A empresa poderá pagar o empréstimo em até 24 meses, com um período de carência de até12 meses.
No município de São Paulo e na Grande São Paulo, interessados podem entrar em contato com funcionários da Plataforma Corporativa CAIXA pelos telefones 11-3116-8137 ou 11-3116-8132. No interior de São Paulo e outras cidades, o empresário deve procurar a agência da CAIXA mais próxima.
Como a linha de crédito contempla algumas atividades econômicas,
clique aqui para saber quais CNAE´s poderão usufruir do crédito.
Documentos necessários:
Para Micro/ Pequenas empresas:
Contrato Social e alterações ou consolidado
DPIJ do último exercício ou declaração do faturamento fiscal dos últimos 12 meses, RG, CPF e comprovante de residência dos sócios, Imposto de Renda dos sócios, obrigatoriedade de todas as certidões negativas;
Médias/Grandes Empresas:
Contrato Social e alterações ou consolidado
Balanços Patrimoniais dos três últimos exercícios financeiros acompanhados de Demonstração de Resultado do Exercício-DRE.
Obrigatoriedade de todas as certidões.
Mais informações podem ser obtidas com o seu gerente da CAIXA
Fonte: Abit
Importação freia emprego industrial
A farra das importações nos últimos três anos freou o emprego industrial no País. A conclusão é de uma pesquisa feita a pedido do Estado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Desde 2004, quando começou a onda de valorização do real frente ao dólar, a importação de matérias-primas, componentes e produtos industrializados aumentou 45,2%, empurrada pela desvalorização de 26% da moeda americana.
No mesmo período, o emprego ficou estagnado (alta de apenas 0,1%) na indústria de transformação, apesar do crescimento acumulado de 10,4% do Produto Interno Bruto (PIB). 'Os números indicam que boa parte da expansão da demanda está sendo abastecida por importações, que não criam e até fecham vagas no mercado de trabalho', diz o economista-chefe do Iedi, Edgard Pereira.
Na indústria do vestuário, o emprego caiu 8,8%, enquanto a importação desses produtos cresceu 136,5% de 2004 a 2006. Não é um exemplo isolado. Entre os fabricantes de máquinas e equipamentos para uso industrial e de escritório, incluindo bens de informática, houve redução de 5,6% no pessoal, com ampliação de 53,5% das importações.
Na indústria têxtil, a concorrência dos itens de origem estrangeira aumentou 81,8% e as empresas fecharam 0,6% dos postos de trabalho. Só no ano passado, a cadeia têxtil demitiu 100 mil pessoas, diz o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel. Segundo ele, entre 1999 e 2005 o setor mais que dobrou as exportações, que passaram de US$ 1 bilhão para US$ 2,2 bilhões e garantiu superávits sucessivos na sua balança comercial. Em 2006, as vendas externas cresceram 5% e as importações dispararam, o que resultou num déficit de US$ 60 milhões. Mantidas as condições atuais, o superintendente da Abit estima que a indústria têxtil e de confecção fechará 2007 com saldo negativo de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão, o que levaria ao fechamento de mais de 200 mil postos de trabalho. 'O que está sendo feito no País é certamente um crime social cambial', diz Pimentel, que ressalta ainda problemas vindos da falta de acordos internacionais, importações asiáticas ilegais e alta carga tributária.
Na Criações D'Anello, fabricante paulista de jaquetas de couro, nylon e ternos, mais de 30% dos postos de trabalho foram fechados, dos quais metade no final de 2006. 'É uma catástrofe', diz Francesco D'Anello, dono da empresa, que não divulgou o número de funcionários demitidos.
O câmbio valorizado, segundo ele, derruba a competitividade do produto brasileiro no mercado externo. O terno mais barato da D'Anello custa R$ 399 no atacado, enquanto produtos similares importados da China e da Índia são oferecidos a US$ 20 no varejo.
No ano passado, os fabricantes de máquinas e equipamentos demitiram quase 4,5 mil pessoas. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton Mello, em parte devido a concorrência das máquinas chinesas. 'São máquinas simples, de baixa tecnologia, que não trazem benefício para a indústria brasileira a não ser o preço baixo.' Elas são vendidas no País pela metade do preços das nacionais. As importações de máquinas da China somaram US$ 527 milhões em 2006, 92% mais que em 2005. Este ano já começou com crescimento de 142%, saltando de US$ 35 milhões em janeiro de 2006, para US$ 85 milhões este ano. 'Tudo decorrência do câmbio', queixa-se o presidente da Abimaq.
O estudo do Iedi também mostra setores que aumentaram o uso de mão-de-obra, apesar do crescimento nas importações. Na indústria de alimentos e bebidas, por exemplo, a oferta de trabalho cresceu 16% e a importação, 36,5%. Na metalurgia básica a alta no emprego foi de 6,5% e na importação, 106%.
Para chegar a esses números o Iedi se baseou em dados da pesquisa do emprego industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e das importações registradas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O economista-chefe, Edgard Pereira explica, que alguns segmentos da indústria não foram analisados, devido a incompatibilidade entre as classificações do IBGE e do Ministério do Desenvolvimento.
Ao contrário do que a maioria dos analistas econômicos defende, o ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore acredita que o aumento das importações ajuda a economia a crescer. Ele argumenta que as importações de bens de produção mais baratos e com conteúdo tecnológico mais avançado contribuem para reduzir o custo de produção e elevar a produtividade. Além disso, as importações de matérias-primas reduzem também os custos dos produtos exportados e vendidos no mercado doméstico, com impacto positivo na ampliação das exportações e no combate à inflação.
'O aumento das importações está acontecendo ao lado de um crescimento do consumo e na formação bruta de capital fixo', afirma Pastore. 'Se olharmos só para o lado das importações, e não olharmos para mais nada, podemos ter a falsa impressão de que o Brasil perdeu oportunidade de produzir o que outros países estão exportando.'
O economista lembra que 'o mundo é um pouco diferente desse mundo contábil'. Ele explica que, quando as importações crescem, porque ficaram mais baratas, elas baixam o preço das máquinas, das matérias-primas e isso induz um crescimento no consumo e na formação bruta de capital fixo.
'Evidentemente, para o indivíduo que foi deslocado pela importação, que compete com o produto que ele produziu, o emprego cai', diz Pastore. 'Mas cai só na fábrica dele, e não na economia como um todo, que é um pouco mais complexa que isso.'
Fonte: O Estado de S.Paulo
A produção industrial caiu em sete das 14 regiões do país pesquisadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em janeiro, na comparação com dezembro de 2006, na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados nesta segunda-feira.
São Paulo, Estado que detém maior peso na estrutura industrial do país, teve recuo de 1% em janeiro na comparação com o mês anterior e foi o maior responsável pela retração de 0,3% no índice geral. Também apresentaram decréscimo os Estados de Minas Gerais (-0,9%), Rio Grande do Sul (-1%), Pernambuco (-1,5%), Espírito Santo (-2,7%), Paraná (-3,4%) e Ceará (-3,5%).
Na contramão, ampliaram a produção os Estados da Bahia (10,8%), do Amazonas (9,4%), de Goiás (5,8%), do Pará (4,4%), a região Nordeste (4,8%), o Rio de Janeiro (2,8%) e Santa Catarina (0,8%).
Na comparação com janeiro de 2006, todas as regiões apresentaram expansão da produção industrial, com exceção do Ceará --que teve queda de 5,4%, devido da pressão negativa do setor de refino de petróleo e produção de álcool. A maior expansão percentual no período ficou com Goiás (18,4%).
São Paulo
São Paulo apresentou avanço de 3,1%. Segundo o IBGE, 12 dos 20 segmentos contribuíram positivamente para o avanço no Estado, com destaque para máquinas e equipamentos (17,4%); máquinas para escritório e equipamentos de informática (71,9%) e alimentos (11,3%). O IBGE registrou reduções nos setores de veículos automotores (-6,1%), refino de petróleo e produção de álcool (-9%) e materiais eletrônicos e equipamentos de comunicação (-11,7%).
A queda em janeiro ante dezembro ocorre depois de um avanço de 0,8% em dezembro em relação a novembro. Na média móvel trimestral --que serve como indicador de tendência para os próximos meses-- o Estado teve queda de 0,4% em sua produção industrial (o trimestre considerado foi o encerrado em janeiro, na comparação com o trimestre encerrado em dezembro do ano passado).
Fonte: Jornal O Mercado
As inscrições para o Prêmio de Qualidade da Gestão (PQG–MS ciclo 2007), coordenado pelo Movimento MS Competitivo e seus parceiros, foram prorrogadas para o dia 23 de março. Esse Prêmio tem por objetivo estimular as organizações públicas e privadas à prática de modernas técnicas de gestão, além de disseminar conceitos e fundamentos com base nos Critérios de Excelência do Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ).
Segundo o diretor-superintendente do Sebrae em Mato Grosso do Sul (uma das entidades parceiras), Cláudio George Mendonça, o Prêmio quer identificar as micro e pequenas empresas com a gestão mais eficiente de sua categoria no Estado. “O processo vai além, pois busca desenvolver um relacionamento com aquelas que desejam se tornarem cada vez melhores, independente do resultado, já que fornece aos participantes uma avaliação completa da gestão, ou seja, uma consultoria sem custos, feita por especialistas. Portanto, a cada participação, a empresa conhece os pontos fortes e as oportunidades para melhoria, e pode retornar mais forte no ciclo subseqüente”.
A edição deste ano contempla três modalidades PCQG: Prêmio CDL de Qualidade da Gestão (destinado às empresas do comércio, serviço e indústria, com participação anterior e para as médias e grandes empresas iniciantes – 250 pontos); o MS + Competitivo, para as micro e pequenas empresas iniciantes – 160 pontos; e a inserção do instrumento de avaliação da gestão pública – Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização, para premiação das organizações do setor público– 250 e 500 pontos. As instituições com maior pontuação na avaliação concorrem aos troféus ouro, prata e bronze.
De acordo com a secretária executiva do Movimento MS Competitivo, Maria Elisa Codorniz, as organizações serão avaliadas segundo oito critérios de excelência em gestão: liderança, estratégia e planos, clientes, sociedade, informações, pessoas, processos e resultados. “O grande benefício, além da visibilidade que o Prêmio dá aos classificados, é que todos os inscritos irão receber um relatório de gestão que é uma consultoria (sem custo) para a sua organização. Esse instrumento poderá servir de direcionamento para a inserção das oportunidades de melhoria sugeridas”, explica.
As inscrições podem ser realizadas através do site www.mscompetitivo.org.br, através do link PQG/MS. Informações também podem ser adquiridas no MS Competitivo, na Avenida Mato Grosso, 942, sala 07, em Campo Grande, ou no site www.mscompetitivo.org.br.
Histórico
O atual Prêmio de Qualidade da Gestão (PQG–MS) teve sua origem ampliando a abrangência do Prêmio CDL de Qualidade da Gestão (PCQG) para organizações/empresas privadas, criado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL/CG) em 2002, e realizado em parceria com várias instituições, entre elas o Sebrae em Mato Grosso do Sul. Por dois anos consecutivos o PCQG premiou apenas empresas da Capital. Em função da necessidade de estender o prêmio para as organizações do interior, em 2004 foi criada a modalidade MS + Competitivo, visando à participação das micro e pequenas empresas iniciantes, e em 2006, incorporou-se ao PQG/MS a categoria pública (organizações públicas).
Fonte: Sebrae/MS
Clipping Online ABIT- edição de 12.03.2007
China ocupa espaço da indústria brasileira
Estado de Minas - BH - Economia - 09/03/2007
Geórgea Choucair
Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria mostra que uma em cada quatro empresas do país sofre com a concorrência asiática, com destaque para calçados, eletrônicos e têxteis
O fogo do dragão chinês alcança uma em cada quatro empresas brasileiras. Mais da metade (52%) delas já perdeu espaço no mercado interno em função da concorrência de produtos made in China, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). No exterior, o cenário é o mesmo: mais da metade das empresas que exporta esbarra em produtos chineses, quase sempre mais baratos. O levantamento ouviu 1.367 pequenas e médias empresas e 214 de grande porte. Os setores mais afetados são os de calçados, eletroeletrônicos e têxteis. Entre as empresas que concorrem com os chineses, 52% tiveram queda nas vendas domésticas.
Todos os meses desembarcam no Brasil toneladas de tecidos e roupas chinesas, que chegam a custar até sete vezes menos do que o produto nacional. Com menos fôlego, a indústria brasileira perde vendas e tende a demitir. Ano passado o setor perdeu cerca de 100 mil empregos, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).Caso nada seja feito, a entidade prevê que as perdas este ano sejam ainda maiores. "Poderemos perder 280 mil postos de trabalho no setor que emprega mais de 1,6 milhão de pessoas", afirma Fernando Pimentel, diretor da Abit.
A sondagem apontou que 75% das empresas têxteis que concorrem com os chineses tiveram recuo de participação das vendas no mercado interno. Nas companhias de vestuário, o percentual é de 66%. O setor de minerais não-metálicos também vem sendo prejudicado com a invasão chinesa: 64% das empresas consultadas que concorrem com os chineses disseram que suas vendas domésticas diminuíram.
O sucesso dos produtos chineses não tem segredo. Na China os salários são muito baixos, quase não há encargos trabalhistas e o governo ainda oferece bilhões de dólares para ajudar as empresas exportadoras. Com isso, o produto chega muito barato ao Brasil. Muitos empresários brasileiros alegam ainda que parte da mercadoria chinesa entra no país de forma ilegal e não paga imposto. O presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Charles Tang, diz que, para ganhar mercado lá fora, o Brasil precisa ser mais eficiente. "Da porta para dentro, a empresa brasileira é muito eficiente. Da porta para fora, há cascatas de tributos, com taxa de juros exorbitantes", afirma Tang.
O presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, tem pressa no combate à invasão chinesa. "Os produtos chineses prejudicam o crescimento da economia brasileira, mas não é hora de reclamar. Antes de parecer algo sombrio, é uma advertência de que temos que acelerar nossa agenda de reformas. Precisamos reduzir o custo Brasil. Não podemos esperar indefinidamente pela solução desses problemas. Se quiser ter uma inserção nesse mundo cada vez mais competitivo, o país tem que ter pressa. Não dá para ficar esperando, e muito menos chorando os prejuízos", afirmou. Para combater a entrada de produtos estrangeiros que driblam a fiscalização e não pagam impostos, a Abit assinou convênio com a Receita Federal. O objetivo é identificar fraudes fiscais na entrada e saída de produtos têxteis e de confecção no país.
Instalar uma fábrica na China ou terceirizar parte da produção no país asiático tem sido a forma encontrada por algumas empresas para enfrentar a forte competição do concorrente. De acordo com o levantamento da CNI, 12% das grandes indústrias brasileiras já produzem total ou parcialmente na China. Outras 7% declararam a intenção de adotar essa estratégia. "O processo de transferência da produção está muito concentrado nas grandes empresas. Isso ocorre não só em termos de porte, mas também setoriais", explicou Paulo Mol, economista da Unidade de Política Econômica da CNI.
A tendência é de que haja um acirramento da concorrência entre a indústria brasileira e produtos da China. Essa disputa se dá tanto no mercado interno quanto no internacional, segundo Flávio Castelo Branco, coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI. "É preciso criar condições para enfrentar essa concorrência", disse. Segundo ele, não é possível colocar salvaguardas em todas as importações da China. (Com agências)
Empresas brasileiras estão perdendo disputa com a China
O Popular - Goiânia - Economia - 08/03/2007
Há oportunidades de negócio no comércio internacional, mas também concorrência agressiva. E quando o rival é China, um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que poucas empresas sobrevivem a essa disputa por mercados.
Para o Brasil entrar no páreo faltam as prometidas reformas, que, na prática, significam menos impostos e juros menores. Isso daria fôlego ao empresário, que precisa se capitalizar e se modernizar para enfrentar a concorrência chinesa. A indústria brasileira está em alerta. Setores de calçados, eletroeletrônicos e têxteis são os mais afetados.
Nos últimos dois, anos tem sido assim: todos os meses, desembarcam no Brasil toneladas de tecidos e roupas chinesas. Chegam custando até sete vezes menos do que o produto fabricado aqui. Com isso, a indústria brasileira perde fôlego, vende menos - aqui e no exterior - e tem de demitir.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), no ano passado foram fechados cerca de 100 mil empregos. Se nada mudar, a previsão é de que, este ano, o número seja ainda maior.
"Isso poderá gerar a perda de 280 mil postos de trabalho no setor que emprega mais de 1,6 milhão de pessoas", afirma o diretor da Abit, Fernando Pimentel.
Sinal de alerta
Mas não é só a indústria têxtil que sofre com a chegada dos chineses. Todos os setores da economia já ligaram o sinal de alerta. De acordo com uma pesquisa inédita da CNI, uma em cada quatro empresas brasileiras enfrenta concorrência chinesa no Brasil, e mais da metade (52%) delas já perdeu espaço no mercado brasileiro por causa disso.
No exterior, o cenário é o mesmo: mais da metade das empresas que exportam esbarram em produtos chineses, quase sempre mais baratos. Resultado: 58% já perderam clientes lá fora para a China, e 6% delas simplesmente desistiram de exportar.
A fórmula do sucesso chinês é conhecida. Lá, os salários são muito baixos, quase não há encargos trabalhistas e o governo chinês ainda oferece bilhões de dólares para ajudar as empresas exportadoras. Por isso, o produto chega tão barato ao Brasil. Isso sem falar que, de acordo com empresários brasileiros, parte da mercadoria chinesa entra no país de forma ilegal e não paga imposto.
O presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Charles Tang, diz que, para ganhar mercado lá fora, o Brasil precisa ser mais eficiente.
"Eu acho que cabe ao Brasil poder concorrer e reduzir seus custos. De porta para dentro, a empresa brasileira é muito eficiente. De porta para fora, com as cascatas de 61 tributos, com a alta taxa de juros exorbitantes e etc., aí é que se torna competitiva", observa o presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Charles Tang.
Invasão
O presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, diz que a invasão de produtos chineses já prejudica o crescimento da economia brasileira, mas que não é hora de reclamar.
"Antes de parecer algo sombrio, é uma advertência que nós temos que acelerar nossa agenda de reformas, que precisamos reduzir o custo Brasil, que não podemos esperar indefinidamente pela solução desses problemas. Se quiser ter uma inserção nesse mundo cada vez mais competitivo, o Brasil tem que ter pressa. Não dá para ficar esperando, e muito menos chorando os prejuízos", disse Monteiro Neto.
Para combater a entrada de produtos estrangeiros que driblam a fiscalização e não pagam impostos, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção assinou um convênio com a Receita Federal. O objetivo é identificar fraudes fiscais na entrada e saída de produtos têxteis e de confecção no Brasil.
Diário de São Paulo - SP, 11/03/2007, Negócios, 03
Setor de confecções busca maior competitividade
As pequenas SEBRAE empresas do setor têxtil e de confecção quase 130 mil instaladas no estado de São Paulo precisam se preparar para um grande desafio: melhorar produtos, processos de produção e de vendas. Sem isso, não conseguirão enfrentar a crescente concorrência dos produtos chineses, perdendo espaço no mercado interno e as chances de exportar numa economia globalizada. Para apoiar o setor; o Sebrae SP trabalha desde março do ano passado no projeto "Os Quatro Cantos da Moda".
Renata Contatori, coordenadora estadual do setor têxtil e de confecções do Sebrae SP, explica que estão sendo capacitados empresários da indústria, comércio e serviços, com atuação centralizada na Capital (zonas Sul, Norte, Leste, Oeste) e Guarulhos, que concentram perto de 50% da indústria e um terço do comércio de confecções do Estado. A responsável pelo projeto na Região Leste, Cristiane Rebelato, conta que numa primeira fase os empresários tiveram palestras sobre temas técnicos da área de confecção e também de gestão. A partir deste ano começou uma segunda fase, de oficinas e diagnóstico com foco nos problemas das empresas, com formação de grupos para trabalhar soluções, começando pela indústria.
Maiores problemas
Entre as principais dificuldades percebidas nas empresas estão problemas com armazenamento de matéria prima e controle da produção; falta de controle de qualidade; uso inadequado de máquinas e equipamentos e deficiências na área de administração. Cristiane destaca que alguns empresários já conseguiram resultados positivos apenas com a orientação das palestras. A partir de agora, eles passarão a ter cursos (duração de 16 a 20 horas) e também poderão agendar consultorias diretamente em suas empresas.
Por enquanto, estão formados três grupos, um de pequenas indústrias, um de comércio e outro de oficinas de costura (serviços), somando 75 empresas, a maioria empregando de cinco a 15 funcionários. No segmento de serviços, diz o responsável pelo projeto em Guarulhos, André Fachine, alguns caminhos já encontrados pelos participantes são a possibilidade de fechar negócios diretamente com fabricantes, melhorando o relacionamento entre os donos das indústrias e as oficinas.
Já os lojistas começam a fazer mudanças no visual dos estabelecimentos e investir mais em vitrines e comunicação com os clientes. Na indústria, informações técnicas ajudaram a controlar melhor a produção e evitar desperdício ou estrago de matérias primas. "São os primeiros reflexos do programa, que vai até 2008. Nos próximos passos, os empresários terão cada vez mais capacitação, e as diferentes pontas da cadeia vão se comunicar mais entre si. As empresas poderão buscar estratégias como compras em grupo ou formação de consórcio para a exportação", afirma Fachine.
Novos grupos
Cristiane diz que há espaço para adesão de empresas de todos os segmentos ao projeto. "Podemos firmar muitos novos grupos. Quanto mais, melhor. O setor precisa de capacitação para sobreviver à concorrência."
A meta inicial do programa do Sebrae SP para a cadeia de confecção, que tem apoio da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), era atender 650 empresas na primeira etapa. A previsão foi superada e o programa atraiu 787 empresas, 21% mais. Segundo Fachine, do escritório do Sebrae SP em Guarulhos, foram feitas de março a dezembro de 2006 mais de 3,6 mil capacitações. Cristiane Rebelato, da regional Leste, destaca que a primeira grande preocupação é evitar que as empresas percam mais clientes no mercado interno.
Perda de espaço
Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que os produtos chineses são concorrentes de 54% dos exportadores brasileiros em geral. No mercado interno, uma em cada quatro empresas concorre com os importados da China. Ainda considerando o mercado interno, 52% das indústrias expostas à competição chinesa perderam clientes nos últimos anos, e os setores de têxteis e de vestuário estão entre os mais afetados. O estudo mostra ainda que 7% das pequenas e médias empresas que concorrem com a China pararam de exportar, e 61% delas perderam clientes para a indústria daquele país. Entre as grandes, apenas 2°ó deixaram de exportar. Mas 51% perderam clientela.
Serviços
Os interessados em participar do programa devem conferir eventos de apresentação nos Escritórios Regionais do SebraeSP em sua região. 0 calendário é: E.R Oeste: 27/03; E.R Leste: 28/03; E.R Sul: 29/03; E.R Norte: 03/04; E.R de Guarulhos: 04/04 Mais informações nos escritórios regionais, pelo 0800 728 0202 ou no portal www.sebraesp.com.br
Diário do Nordeste - Fortaleza, 07/03/2007, Negócios, 7
Países da CPLP são valiosos mercados para pequenos
A ponte criada pelo idioma comum e a sua dependência por mercadorias importadas fazem dos países falantes de língua portuguesa uma valioso mercado para os exportadores cearenses, sobretudo os de menor porte. De olho nesse nicho, o Encontro Internacional de Negócios do Nordeste, começa hoje, no Centro de Negócios do Sebrae-CE, organizador do evento.
Segundo o articulador de Acesso a Mercados do Sebrae, Horácio Melo, o evento deste ano tem como foco ´a maior proximidade com a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)´. Ele avalia que este se trata de um mercado com grande potencial, precisando ser aberto para as microempresas do Estado. O exemplo de Cabo Verde, hoje um dos principais parceiros comerciais do Ceará, é citado por Melo como justificativa para esse interesse. "Conseguimos fechar o ano passado com US$ 5,6 milhões em vendas para Cabo Verde, o que representa a abertura de um valioso mercado, uma vez que em 2002 não se vendia nada para lá´, defende.
Moçambique, Angola e mesmo Portugal também estão no alvo dos microempresários cearenses. "Os setores de alimentos e bebidas, artesanato, confecções, flores e frutas, artesanatos, móveis e a construção civil têm grande potencial para estas parcerias", diz. O encontro de 2006 reuniu 250 empresas, sendo 56 estrangeiras, com realização de negócios da ordem de US$ 27 milhões durante as rodadas de negócios realizadas nos dois dias do encontro. Este ano 250 fornecedores mostram suas mercadorias para 80 compradores, sendo 70 representando 26 países como Alemanha, Estados Unidos, Espanha, França, Holanda, Itália, México, Panamá, Portugal, Uruguai, Argentina e Venezuela.
Mesmo falante de francês, o Senegal é o país com a maior delegação já confirmada para o evento, com 20 compradores. "Os africanos são um bom mercado porque dependem de importações vindas de outros países. O Brasil pode se credenciar como maior fornecedor para este mercado", avalia. A maioria das empresas nordestinas no evento ainda é de cearenses, mas o Sebrae já sente incremento na vinda de pequenos empresários de outros Estados. "São aproximadamente 60 microempresários vindos de outros locais, como Paraíba, Piauí e Pernambuco", revela.
Têxteis e confecções[b]
Empresas nordestinas do setor de têxteis e confeccionados terão a oportunidade de mostrar os seus produtos e realizar negócios com compradores internacionais durante o Encontro de Negócios no Nordeste, promovido pela ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), com o apoio da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), através do Programa Texbrasil (Programa Estratégico da Cadeia Têxtil Brasileira). A ABIT está trazendo 11 compradores internacionais.
[b]O Estado de S. Paulo - SP, 12/03/2007, Economia, B-3
Importação freia emprego industrial
Marcelo Rehder
A farra das importações nos últimos três anos freou o emprego industrial no País. A conclusão é de uma pesquisa feita a pedido do Estado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Desde 2004, quando começou a onda de valorização do real frente ao dólar, a importação de matérias-primas, componentes e produtos industrializados aumentou 45,2%, empurrada pela desvalorização de 26% da moeda americana.
No mesmo período, o emprego ficou estagnado (alta de apenas 0,1%) na indústria de transformação, apesar do crescimento acumulado de 10,4% do Produto Interno Bruto (PIB). "Os números indicam que boa parte da expansão da demanda está sendo abastecida por importações, que não criam e até fecham vagas no mercado de trabalho", diz o economista-chefe do Iedi, Edgard Pereira.
Na indústria do vestuário, o emprego caiu 8,8%, enquanto a importação desses produtos cresceu 136,5% de 2004 a 2006. Não é um exemplo isolado. Entre os fabricantes de máquinas e equipamentos para uso industrial e de escritório, incluindo bens de informática, houve redução de 5,6% no pessoal, com ampliação de 53,5% das importações.
Na indústria têxtil, a concorrência dos itens de origem estrangeira aumentou 81,8% e as empresas fecharam 0,6% dos postos de trabalho. Só no ano passado, a cadeia têxtil demitiu 100 mil pessoas, diz o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel. Segundo ele, entre 1999 e 2005 o setor mais que dobrou as exportações, que passaram de US$ 1 bilhão para US$ 2,2 bilhões e garantiu superávits sucessivos na sua balança comercial. Em 2006, as vendas externas cresceram 5% e as importações dispararam, o que resultou num déficit de US$ 60 milhões. Mantidas as condições atuais, o superintendente da Abit estima que a indústria têxtil e de confecção fechará 2007 com saldo negativo de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão, o que levaria ao fechamento de mais de 200 mil postos de trabalho. "O que está sendo feito no País é certamente um crime social cambial", diz Pimentel, que ressalta ainda problemas vindos da falta de acordos internacionais, importações asiáticas ilegais e alta carga tributária.
Catástrofe
Na Criações D'Anello, fabricante paulista de jaquetas de couro, nylon e ternos, mais de 30% dos postos de trabalho foram fechados, dos quais metade no final de 2006. "É uma catástrofe", diz Francesco D'Anello, dono da empresa, que não divulgou o número de funcionários demitidos.
O câmbio valorizado, segundo ele, derruba a competitividade do produto brasileiro no mercado externo. O terno mais barato da D'Anello custa R$ 399 no atacado, enquanto produtos similares importados da China e da Índia são oferecidos a US$ 20 no varejo.
No ano passado, os fabricantes de máquinas e equipamentos demitiram quase 4,5 mil pessoas. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton Mello, em parte devido a concorrência das máquinas chinesas. "São máquinas simples, de baixa tecnologia, que não trazem benefício para a indústria brasileira a não ser o preço baixo." Elas são vendidas no País pela metade do preços das nacionais. As importações de máquinas da China somaram US$ 527 milhões em 2006, 92% mais que em 2005. Este ano já começou com crescimento de 142%, saltando de US$ 35 milhões em janeiro de 2006, para US$ 85 milhões este ano. "Tudo decorrência do câmbio", queixa-se o presidente da Abimaq.
O estudo do Iedi também mostra setores que aumentaram o uso de mão-de-obra, apesar do crescimento nas importações. Na indústria de alimentos e bebidas, por exemplo, a oferta de trabalho cresceu 16% e a importação, 36,5%. Na metalurgia básica a alta no emprego foi de 6,5% e na importação, 106%.
Para chegar a esses números o Iedi se baseou em dados da pesquisa do emprego industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e das importações registradas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O economista-chefe, Edgard Pereira explica, que alguns segmentos da indústria não foram analisados, devido a incompatibilidade entre as classificações do IBGE e do Ministério do Desenvolvimento.
'Mundo contábil é diferente'
Ao contrário do que a maioria dos analistas econômicos defende, o ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore acredita que o aumento das importações ajuda a economia a crescer. Ele argumenta que as importações de bens de produção mais baratos e com conteúdo tecnológico mais avançado contribuem para reduzir o custo de produção e elevar a produtividade. Além disso, as importações de matérias-primas reduzem também os custos dos produtos exportados e vendidos no mercado doméstico, com impacto positivo na ampliação das exportações e no combate à inflação.
"O aumento das importações está acontecendo ao lado de um crescimento do consumo e na formação bruta de capital fixo", afirma Pastore. "Se olharmos só para o lado das importações, e não olharmos para mais nada, podemos ter a falsa impressão de que o Brasil perdeu oportunidade de produzir o que outros países estão exportando."
O economista lembra que 'o mundo é um pouco diferente desse mundo contábil'. Ele explica que, quando as importações crescem, porque ficaram mais baratas, elas baixam o preço das máquinas, das matérias-primas e isso induz um crescimento no consumo e na formação bruta de capital fixo.
"Evidentemente, para o indivíduo que foi deslocado pela importação, que compete com o produto que ele produziu, o emprego cai", diz Pastore. "Mas cai só na fábrica dele, e não na economia como um todo, que é um pouco mais complexa que isso."
Jornal do Commercio - RJ, 12/03/2007, Economia, A-4
O redesenho da estrutura industrial
Lucianne Carneiro
Demonstrado no Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado, o distanciamento entre o país dos consumidores - com alta de 3,8% no consumo das famílias - e o dos produtores - com fraca expansão de 1,9% na produção da indústria de transformação - está apenas no início. A influência do câmbio apreciado e do baixo custo de produção da China tende a alterar de forma profunda a estrutura da indústria brasileira, defende o economista da MB Associados José Roberto Mendonça de Barros.
"Está firmemente estabelecido que o consumo cresce fortemente, enquanto a expansão da indústria é muito diferenciada entre os setores. Os ganhadores são as commodities, enquanto os perdedores são os conhecidos setores de vestuário, calçados, têxteis e indústria de madeira.
O mundo dos produtores está mais conturbado, com competitividade crescente junto aos importados, fruto do câmbio e do custo de produção extremamente baixo da China. Acho que ainda estamos no começo do processo de aumento de importações", afirma Mendonça de Barros. Alavanca
O economista argumenta que o fenômeno de separação entre o consumo e a oferta interna começou em 2005, mas ganhou maior força em 2006, depois que os empresários começaram a incorporar o câmbio baixo em suas estratégias corporativas. Ou seja, quando deixaram de ver a situação apenas como uma ameaça e começaram a incorporá-la como alavanca do negócio, aumentando a importação de insumos. Como exemplo, Mendonça de Barros cita a sondagem divulgada na última semana pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre a concorrência de empresas brasileiras com produtos importados da China no mercado interno, que atinge uma em cada quatro empresas brasileiras.
Das grandes empresas, 16% importam matéria-prima da China e das pequenas e médias, o percentual é de 10%. Quase metade das empresas que já compram matéria-prima da China pretende aumentar a importação nos próximos seis meses, enquanto o restante espera manter o volume importado no período. "As empresas estão fazendo investimentos para se ajustar a este mundo de dólar fraco e custo baixo de produção na China, incluindo a importação de insumos ou até mesmo de bens finais. Na hora em que a empresa decide isso leva a seu limite e a volta é mais difícil", explica, acrescentando que muitas indústrias passaram a ser gerenciadoras de marcas.
Mendonça de Barros não acredita em um processo de desindustrialização no Brasil, mas argumenta que se desenha um cenário de mudança na natureza da indústria, com mais espaço para os setores ligados a commodities, como a indústria de metais, de papéis e de álcool, por exemplo. Outros setores tendem a desaparecer ou sustentar apenas um número menor de empresas. No caso do setor têxtil, cita os acordos entre a Coteminas e a Springs, e a Santista Têxtil e a Tavex Algodonera.
O economista chega até mesmo a comparar com o processo ocorrido no início dos anos 90, com a abertura comercial brasileira aos produtos importados. A diferença, segundo Mendonça de Barros, é que as condições macroeconômicas atuais estão mais estáveis e estruturadas. Para o economista do Grupo de Conjuntura do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Caio Prates da Silveira, a diferença entre o país dos consumidores e o dos produtores não pode ser explicada apenas pelo consumo elevado, mas também pelos bons indicadores de investimentos.
A maior discrepância, defende ele, é entre a demanda doméstica e a oferta doméstica, fenômeno que deve se manter ao longo deste ano. A projeção do Grupo de Conjuntura é de um aumento de 4% do PIB neste ano, ao lado de um crescimento entre 5% e 5,5% da demanda doméstica.
Na sua avaliação, no entanto, o fator preponderante para explicar este distanciamento é o câmbio. "No curto prazo, a restrição principal da oferta está no câmbio, ainda que possa se considerar algum efeito China. Enquanto a pauta de grande parte dos economistas está calcada numa agenda de reformas, que amplie o investimento, consideramos que ele não é a questão principal agora, a taxa de investimento vem reagindo", diz. Caio Prates concorda que o risco de uma mudança na estrutura da indústria é relevante, caso o câmbio apreciado permaneça por um longo período. O Grupo de Conjuntura, no entanto, trabalha com um cenário de desvalorização do real a partir do próximo ano.
"No horizonte de 2007, o câmbio não vai mudar muito, mas há fatores que gradualmente vão contribuir para desvalorizar o real. A balança comercial tende a ter uma piora no desempenho em 2008 e combinado a isso teremos mais redução de juros. O mega saldo comercial e o diferencial de juros, que estavam contribuindo para pressionar o câmbio para baixo, serão amenizados", afirma.
Demanda
O professor de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA/USP) Fábio Kanczuk concorda com a avaliação de que o câmbio é o fator preponderante do crescimento maior do consumo do que do PIB. "Podemos chamar de vazamento da demanda, expansão maior do país dos consumidores do que dos produtores, mas o fato é que o consumo cresceu mais que o PIB. O dólar é a principal razão disso, já que tem atrapalhado a competitividade do produto brasileiro. É duro, mas faz parte do jogo e se o governo tentar consertar isso vai fazer mais mal do que bem", pondera. Kanczuk não acredita, no entanto, que a diferença entre a demanda doméstica e a oferta seja um fenômeno permanente. Ele diz que tal descompasso é temporário e o ajuste da produção tende a ocorrer mais à frente, com uma desvalorização do dólar, por exemplo. "É verdade, no entanto, que a competição com a China pode mudar o mix de produção da indústria. Temos mais condições de competir em commodities, por exemplo, e pode haver um rearranjo da indústria nacional", aponta.
Preocupação com os reflexos no emprego
A principal preocupação de José Roberto Mendonça de Barros com a mudança na estrutura da indústria é sua conseqüência no emprego. Como os setores que tendem a permanecer mais fortes são mais intensivos em capital, mas demandam menos mão-de-obra, ele vê riscos para a manutenção do emprego. "A dúvida é se os setores da indústria que crescem vão conseguir absorver toda a mão-de-obra desses outros setores industriais. No Brasil, o sistema educacional é tão ruim que não consegue dar conta dessas mudanças e por isso o setor de construção civil é tão importante para a absorção de mão-de-obra", diz o economista.
Já Fábio Kanczuk não teme por problemas de desemprego estrutural. Ele argumenta que o crescimento do setor de serviços no Brasil ainda está aquém do registrado em outros países e que a geração de novas vagas no segmento devem ser suficientes para absorver a mão-de-obra remanescente. "O setor de serviços ainda tem uma importância menor no Brasil do que em outros países. A tendência é o setor absorva a mão-de-obra após uma possível mudança na cara da indústria", defende.
O Estado de S. Paulo - SP, 11/03/2007, Economia, B-12
Sinal amarelo para grifes de luxo
Patrícia Cançado
No mundo da moda, março é tradicionalmente o mês de estréia das coleções de outono-inverno nas lojas. Mas, neste ano, as grifes de luxo se viram obrigadas a romper essa regra e esticar a temporada de descontos - que, em geral, começa em janeiro e termina em fevereiro. Os anúncios de liquidação nos jornais e nas fachadas das lojas nessa época do ano são sintomáticos: o segmento que sempre se orgulhou de passar ao largo das constantes crises de consumo do País não anda mais o mesmo. "Não podemos falar em crise porque existem marcas que estão muito bem. Mas há uma retração nas vendas', diz o sócio da MCF Fashion, Carlos Ferreirinha. 'O ano de 2006 foi difícil para a moda de maneira geral. A classe média 'aspiracional', que alimenta o crescimento do mercado de luxo no mundo inteiro, está endividada no Brasil. Além disso, esse segmento sofreu o impacto do episódio".
Como as vendas no ano passado ficaram aquém do esperado, os estoques ficaram mais altos que de costume. E as coleções novas só costumam ser colocadas nas araras quando uma boa parte das peças antigas é desovada. É uma regra clássica do varejo de moda.
No começo da liquidação, os descontos eram de 30% ou 40%. Hoje já chegam a 50% na Hugo Boss, Versace, Cavalli e Giorgio Armani e a 60% no Empório Armani e na D&G, a marca jovem do Dolce & Gabbana. Nenhum dos representantes das grifes se disponibilizou a falar sobre negócios e importação no momento.
A promoção das lojas do grupo Armani e D&G vão até o fim de março. Apesar das liquidações estendidas, o grupo tem planos de fazer investimentos no País, com abertura de dez lojas da grife Armani Exchange em três anos. Duas já foram inauguradas no final de 2006. "Normalmente, quando você dá descontos por tanto tempo, você demonstra que as margens são altas e uma certa fraqueza da marca", acredita o ex-diretor da Hugo Boss no Brasil Claus Reinhardt. "No exterior, as promoções vão até 50%, mas duram um mês. Na Europa, o consumo é mais consistente."
Importação difícil
Desde 2005, quando os donos da butique foram pegos pela Polícia Federal na Operação Narciso e acusados de sonegação fiscal, falsificação de documentos, formação de quadrilha e crime contra a ordem tributária, a importação de mercadorias de luxo tem ficado mais burocrática e demorada, segundo importadores e empresários do ramo. 'As roupas chegam aqui velhas. Para desovar, tem de liquidar', diz a ex-executiva da Dior Brasil, Andrea Funaro.
Segundo a sócia da Access Logistics Solange Crepardi, o segmento de luxo ficou em evidência depois do episódio Daslu. 'Quase tudo o que está chegando de roupa de luxo na Receita Federal está parando', diz. "Para essas marcas, o que importa não é tanto o preço, mas o produto novo na loja. Se ele não chega, o cliente vai comprar no exterior."
A dificuldade de importação levou a divisão de perfumes e cosméticos da LVMH - o maior conglomerado de luxo no mundo, dono das marcas Louis Vuitton e Christian Dior - a fazer uma reclamação na Organização Mundial de Comércio (OMC) no fim de 2006, e novamente em janeiro deste ano. "Agora está melhor, mas nós fomos prejudicados por greves na Receita Federal e na Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária). A Receita começou a questionar preços antes mesmo do episódio Daslu", diz a diretora-geral da unidade no Brasil, Evelyse Britto, responsável pelas marcas Dior, Givenchy, Kenzo e Acqua di Parma.
A unidade de negócios perdeu 9% em receita no ano passado, o pior resultado desde que ela se instalou no Brasil, em 1998. 'No nosso caso, 100% da culpa foi falta de mercadoria', diz Evelyse. "Mas, de forma geral, o mercado também sofreu porque ficou mais barato viajar para o exterior, por conta do dólar. A classe média encolheu, mas o rico deve estar comprando mais lá fora."
Segundo a secretária-adjunta da Receita Federal, responsável pela área aduaneira, Clecy Lionço, não se pode vincular as ações de fiscalização ao caso Daslu. "O próprio caso decorreu da estratégia de combate à fraudes de toda espécie, que já vinha sendo adotada e vem sendo aperfeiçoada, inclusive, mas não apenas no setor". O mercado de luxo segue uma lógica particular. "Uma roupa não pode ficar numa arara mais que dois meses porque é objeto de desejo', diz a ex-executiva da Dior no Brasil, Andrea Funaro. "Não vejo crise de consumo, mas crise de identidade nesse segmento. As pessoas deixaram de comprar porque desconfiavam se o produto era ou não da coleção passada."
O Estado de S. Paulo - SP, 12/03/2007, Notas e Informações, A-3
Competir, não reclamar
A indústria brasileira parece ter-se convencido de que, para enfrentar com eficiência a cada vez mais agressiva concorrência chinesa, no mercado interno e no externo, não basta mais ficar pedindo ao governo a adoção de medidas de defesa comercial. São medidas legítimas, mas sua aplicação não pode se estender para todas as importações da China e deve limitar-se aos casos previstos nas regras do comércio internacional. Só há, por isso, uma política inteligente para enfrentar com êxito a concorrência chinesa: preparar-se adequadamente para enfrentá-la, por meio da melhora da competitividade. Esta é a principal conclusão da sondagem feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que ouviu 1.367 pequenas e médias empresas e 214 de grande porte, para saber como a concorrência com produtos chineses afeta suas atividades. O impacto é forte.
Das empresas consultadas, pouco mais de um quarto (26%) enfrenta a concorrência desses produtos no mercado interno. No mercado internacional, a competição é ainda mais acirrada: mais da metade (54%) das empresas que exportam tem de disputar espaços com produtos fabricados na China. Nessa disputa, pelo menos por enquanto, os produtos chineses vêm obtendo resultados melhores. Das empresas brasileiras que enfrentam esses produtos no mercado interno, 52% informaram que perderam participação nesse mercado; das empresas que enfrentam a concorrência no mercado externo, o efeito foi mais forte, pois 58% delas registraram perda de clientes ou de mercado por causa dos produtos chineses.
No mercado interno, as grandes empresas estão mais expostas à concorrência chinesa, pois 45% delas a enfrentam; entre as pequenas e médias o índice cai para 23%. As indústrias têxteis e de vestuário são as que registram perdas mais acentuadas de participação no mercado por causa da concorrência chinesa. Três de cada quatro empresas têxteis perderam espaço para os chineses, e para quase um quarto delas (23%) a redução foi muito grande. No caso das indústrias de vestuário, perdas foram assinaladas por duas de cada três empresas ouvidas pela CNI.
Parte das empresas decidiu enfrentar a concorrência chinesa produzindo na China, diretamente ou por meio de empresas terceirizadas. Das grandes, 7% já fazem isso, outros 3% pretendem instalar fábricas na China e 4% planejam terceirizar parte da produção, contratando-a de empresas chinesas. Das que decidiram produzir na China, metade pertence a quatro setores: veículos, máquinas e materiais elétricos, minerais não metálicos e produtos de metal. No caso de empresas multinacionais, a decisão de fabricar na China pode ter sido tomada por suas matrizes fora do Brasil.
Outro caminho percorrido pelas empresas é o da busca de maior competitividade, por meio da redução de custos e por investimentos em qualidade e design dos produtos. "As indústrias estão fazendo sua parte", disse o principal economista da CNI, Flávio Castelo Branco, ao comentar os resultados da sondagem. "Mas o que precisa ser solucionado são problemas de natureza sistêmica, como a alta carga tributária, a logística ineficiente, o alto custo de capital e o excesso de regras no mercado de trabalho."
São mudanças que há muito tempo vêm sendo reclamadas pelo setor produtivo para melhorar o ambiente econômico, por meio da redução de custos e ganho de eficiência. Tais mudanças já não dependem mais de esforços, estudos, pressões ou iniciativas do empresariado. Dependem inteiramente do governo, que já dispõe de todas as informações necessárias para apresentar propostas concretas. Se não o faz é porque ainda não compreendeu sua importância ou não tem competência para fazê-las. Se o governo brasileiro não dá muitas esperanças de agir de maneira coerente e eficaz para prover a economia de meios para enfrentar a concorrência chinesa, de Pequim vem um sinal de que as coisas podem melhorar. Efetivamente, o governo chinês acaba de reduzir os benefícios financeiros (juros mais baixos) de que gozavam os exportadores que obtiverem receitas superiores a US$ 200 milhões por ano, medida que reduz sua competitividade no exterior. É pouco, mas, para os que têm cada vez mais dificuldades para concorrer com os chineses, como boa parte da indústria brasileira, é um sinal de alento.
O Estado de S. Paulo - SP, 11/03/2007, Nacional, A-4
EUA querem ver 'cartas na mesa' para anunciar corte em subsídios
Denise Chrispim Marin
A representante dos Estados Unidos para o Comércio (USTR), Susan Schwab, insistiu ontem em São Paulo que seu país não apresentará um 'ajuste' na oferta de cortes de subsídios aos agricultores antes que os demais parceiros da Organização Mundial do Comércio (OMC) exponham as 'cartas' sobre a abertura de seus mercados agrícolas. Ao lado do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, com quem se reuniu por quase três horas num hotel de São Paulo, Susan mostrou-se preocupada com o 'risco real' de a Rodada Doha fracassar, nos próximos meses, devido à ausência de um acordo 'ambicioso e equilibrado' para os limites dos subsídios agrícolas.
Diante da imprensa, os dois negociadores mostraram-se bastante à vontade para repetir as máximas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Doha. Além da referência ao jogo de cartas, Susan lembrou que teve de se trancar em uma sala com Amorim, 'por ordem dos presidentes', para tratar da Rodada. Precavido, o chanceler brincou que não estavam sozinhos.
Ao lado de Bush, anteontem, Lula havia recomendado - e Bush concordou com a idéia - que Amorim e Susan fossem trancados em uma sala com a missão de avançar nas negociações. Em outro momento, comentando a necessidade de um acordo, Lula disse também que brasileiros e americanos deveriam alcançar o 'ponto G', referindo-se a um acerto equilibrado sobre ofertas e demandas.
"Eu já disse publicamente que estamos dispostos a fazer um ajuste na oferta sobre subsídios domésticos quando houver mais acesso a mercados colocado na mesa", afirmou Susan, depois de insistir nas boas qualidades da proposta de outubro de 2005, que foi considerada insuficiente pelo Brasil e por outros parceiros. "Se não conseguirmos um resultado nessa janela de oportunidade, vamos arriscar o futuro da Rodada Doha e atacar para outras coisas. Não queremos assumir o risco de, daqui a dois ou três anos, nos reunirmos novamente para tratar da Rodada!", completou. A rigor, a 'janela de oportunidade' deveria fechar-se em abril deste ano.
No encontro, porém, tornou-se claro que esse prazo vai estender-se até o final de maio. Para os negociadores brasileiros, se não houver um pré-acordo sobre agricultura até o fim do semestre, a Rodada não prosseguirá, por desgaste da vontade política dos principais parceiros da OMC. O ministro Amorim foi claro, ontem, ao apontar essa ameaça para as negociações. "O risco é os líderes se cansarem. E a opinião pública, que influencia os líderes, também", afirmou. "Seria lamentável porque estamos muito perto de um acordo. Não vejo ninguém apostando no fracasso. Se há um caminho de 100 a percorrer, já passamos por 80 e seria lamentável perder (a Rodada) por causa de 20."
O primeiro foco de atenção dos Estados Unidos e do Brasil nas próximas semanas será a decisão a ser tomada pelo G-33, grupo de economias em desenvolvimento liderado pela Índia e Indonésia, sobre sua real oferta de abertura agrícola. Esse grupo, que estará reunido no próximo dia 17 em Jacarta, insiste em manter uma larga lista de itens agrícolas protegidos, na condição de produtos especiais e por meio de salvaguardas.
Sua decisão terá impacto na coesão do G-20, outro grupo do mundo em desenvolvimento, que atua nas discussões agrícolas e é liderado por Brasil e Índia. Mas terá efeito ainda pior. Se mantida a posição original do G-33, dificilmente os EUA terão margem política interna para propor um corte mais profundo nos seus subsídios agrícolas.
A contrapartida exigida pelo setor agrícola americano para esse corte é justamente o maior acesso a mercados - não só da União Européia, mas sobretudo de economias em desenvolvimento que são importadoras líquidas de itens agrícolas. Os americanos mantêm sobre a mesa a proposta de teto de US$ 22,5 bilhões ao ano para os subsídios domésticos. Nos últimos anos, concederam cerca de US$ 20 bilhões. Para o período de 2007 a 2012, está previsto o dispêndio médio de US$ 17,4 bilhões ao ano. A União Européia exige que esse teto seja de até US$ 15 bilhões. O G-20 quer US$ 12 bilhões. Sem a oferta de corte mais fundo por parte dos EUA, Doha jamais fechará.
Empresários
Depois da reunião com Amorim, Susan seguiu para seu segundo encontro com líderes empresariais, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com a presença do presidente da entidade, Paulo Skaf, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues e o presidente do Grupo Cutrale, José Luis Cutrale, entre outros. Não houve grande avanço. 'Para nós, ficou claro o que eles querem, mas não ficou claro se eles aceitam o que nós queremos', comentou Skaf, referindo-se às propostas apresentadas em relação às tarifas industriais. O presidente da Fiesp afirmou que a ambição demonstrada pelos americanos para resolver as questões de tarifas industriais não apareceu na mesma proporção quando o assunto foi a agricultura. 'Gostaríamos de saber como ficam os US$ 20 bilhões de subsídios que o país dá aos seus produtores. Isso não ficou claro. Também não ficou claro como fica a situação do açúcar, cuja tarifa é de 150%, do suco de laranja, de 40%, e etanol, de 46%', reclamou Skaf. Segundo ele, não adianta fazer parceria para troca de tecnologia na produção do álcool se o produto não tiver acesso ao mercado americano.
Gazeta Mercantil - SP, 12/03/2007, Bush No Brasil, A-9
A oportunidade não pode ser perdida
Um acordo equilibrado para a conclusão da Rodada Doha, de negociações para a liberalização do comércio global entre os 150 países membros da Organização Mundial de Comércio (OMC), é o objetivo da embaixadora Susan Schwab, representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, sigla em inglês). Pela terceira vez no Brasil, Schwab disse que acredita que as negociações de Doha estão muito próximas do fim a janela de oportunidade deste momento não pode ser perdida, disse.
Schwab lembrou a necessidade de se chegar a um entendimento ainda neste semestre, antes de o fast track, ou TPA (Trade Promotion Authority) autorização que permite o presidente George W Bush assinar acordos comerciais sem passar pelo Congresso expirar em 30 de junho. Com um discurso bastante conciliador, Schwab afirmou que os EUA estão dispostos a melhorar a proposta feita em outubro de 2005, considerada ruim por especialistas brasileiros.
A embaixadora, que chegou com Bush na quinta feira a bordo do Air Force One, ficou em São Paulo para se reunir com o ministro das Rela ções Exteriores, Celso Amorim, no sábado. Seguem os principais trechos da entrevista concedida a este jornal na última sexta feira.
Gazeta Mercantil Há tempo para se chegar a um entendimento nas negociações da Rodada Doha antes do término do TPA, que expira em 1° de julho?
Susan Schwab Mesmo se chegarmos a um entendimento antes dessa data, nós precisamos ao menos de um ano para finalizar todo o processo. São muitos países, muitos detalhes. Mesmo assim, por razões psicológicas, será melhor chegarmos a um entendimento antes de o TPA expirar. Um entendimento tornaria mais fácil para nós conseguirmos a prorrogação do TPA. Um entendimento bem detalhado mostraria aos nossos parceiros comerciais, aos nossos homens de negócios e do agríbusiness quantas oportunidades serão criadas com a conclusão da Rodada Doha. Já no que tange a questões legais, nós não precisamos realmente do TPA até o acordo ser totalmente concluído. Mas nós gostaríamos de tê lo enquanto nós estamos negociando porque dá conforto a nós e a nossos parceiros comerciais.
Gazeta Mercantil Como estão as negociações com o Congresso? Os democratas concordam com o pedido de extensão?
Susan Schwab Há uma divisão no Partido Democrata... há democratas que defendem o livre comércio e há democratas que são mais protecionistas. Nós estamos contando que os democratas que apóiam uma maior abertura do comércio prevaleçam.
Gazeta Mercantil Qual o impacto nessas negociações da visita ao Brasil do presidente Bush?
Susan Schwab É um reflexo da muito importante relação bilateral entre Brasil e EUA e esses laços vão além do comércio. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem a chance de ser o mais importante líder para determinar o sucesso ou o fracasso das negociações por conta da influência que o Brasil tem sobre a índia e outros países em desenvolvimento.
Gazeta Mercantil Agricultura é mesmo a questão mais difícil? A visita de Bush pode ser um sinal de que os EUA podem reduzir os subsídios no setor?
Susan Schwab Precisamos encontrar um equilíbrio entre os três pilares: fim dos subsídios às exportações (os quais nós já concordamos); fim dos subsídios domésticos e acesso a mercados. A indústria brasileira e o agronegócio brasileiro se beneficiam desses três pilares; os EUA estão preparados para cortar dramaticamente nossos subsídios domésticos em agricultura, nós sinalizamos isso com a nossa oferta corajosa em outubro de 2005 e desde então temos mostrado que liberaremos quando houver mais propostas de acesso a mercados sobre a mesa, nós estamos preparados a considerar fazer ainda mais...
Gazeta Mercantil Mais do que a última proposta?
Susan Schwab A proposta que colocamos na mesa em outubro 2005 é muito corajosa. Nós oferecemos um corte de 60% (nos subsídios aos produtores agrícolas), foi uma proposta séria e ainda está na mesa. Mas estamos preparados a considerar mudanças naquela oferta se houver mais propostas de acesso a mercados agrícolas... da União Européia, dos países em desenvolvimento como índia ou China... nós esperamos trabalhar com o Brasil na busca por esse tipo de abertura de mercado porque Brasil e EUA têm interesses comuns em ver isso acontecer.
Gazeta Mercantil O presidente Lula sinalizou com a possibilidade de o G20 apresentar uma flexibilização da proposta apresentada em outubro de 2005. É o sinal que os EUA esperam?
Susan Schwab Quando G20 fez a proposta dele em outubro 2005, nós ficamos muito desapontados porque eles antecipavam cortes dramáticos nos subsídios e muito pouco acesso a mercados agrícolas. A questão chave é que tipo de acesso a mercados vai estar sobre a mesa.
Gazeta Mercantil O que é bom para os EUA?
Susan Schwab Temos interesse em mais acesso à mercados porque nossos produtos agrícolas poderão estar competindo nesses mercados, é um interesse que o Brasil também partilha... Também temos interesses na redução das distorções de mercado, e isso quer dizer a eliminação dos subsídios agrícolas para exportação no mundo, redução de subsídios domésticos nos EUA, na UE...
Gazeta Mercantil Em quanto vocês estão disposto a melhorar a sua proposta? Quem fará o primeiro movimento?
Susan Schwab Nós fizemos o primeiro movimento em outubro de 2005 com a esperança de que outros países viessem com propostas tão ambiciosas quanto, o que não aconteceu. Eu penso que um dos motivos que nós emperramos foi a questão de quem vai primeiro... então a estratégia que estamos levando a cabo agora serve para que, em algum momento, um grupo de países possa colocar sua proposta junto na mesa... Não haverá entendimentos bilaterais ou quem vai primeiro, mas chegar a um resultado simultâneo.
Gazeta Mercantil Os EUA planejam avançar nos acordos bilaterais?
Susan Schwab Sob o atual TPA, nós chegamos a acordos (Free Trade Agreement, FTA) com Peru, Colômbia e Panamá. Agora negociamos com a Coréia (do Sul) e vamos ver se terminamos ainda na vigência do atual TPA. Até novo TPA, não faremos nenhum outro acordo.
Gazeta Mercantil E o Uruguai?
Susan Schwab Neste momento, eu sei que os EUA não estão planejando um acordo de livre comércio com o Uruguai. FTA. Um FTA não é um presente que um país dá a outro. Se eles demonstrarem interesse de fazer um acordo de FTA eles devem avisar primeiramente o Mercosul.
Gazeta Mercantil Como estão as negociações com a Coréia?
Susan Schwab Esperamos chegar a um acordo no fim de março. Mas ainda há pontos difíceis, em automóveis, fármacos, investimentos, agricultara. Fizemos grandes avanços nas negociações, mas as coisas mais difíceis foram deixadas para o final, como acontece nas negociações. É isso é exatamente o que acontece com a Rodada Doha. O que estamos tentando fazer com as convesas bilaterais para tentar simplificar as negociações.
Gazeta Mercantil Quais as possibilidades de um acordo bilateral entre Brasil e EUA?
Susan Schwab Ambos são beneficiados por acordos multilaterais. Talvez em algum ponto no futuro nós poderemos ver um acordo bilateral, mas os dois lados precisam ver um beneficio real. Agora o mais importante a fazer é trabalhar para uma conclusão bem sucedida da Rodada Doha.
DCI - SP, 12/03/2007, Especial, A-5
Empresários reclamam de subsídios agrícolas
Wilson Gotardello
A representante de Comércio norte-americana, Susan Shwab, e empresários de setores da indústria e agricultura brasileiros não conseguiram avançar na discussão sobre os US$ 20 bilhões de subsídios dados pelos Estados Unidos à produção agrícola de seu país, como também em relação às altas tarifas que os brasileiros têm de pagar para entrar nos Estados Unidos. No último sábado, após seu encontro com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, Susan seguiu para a Federação das Indústrias de Estado de São Paulo (Fiesp), onde, pelo segundo dia, reuniu-se com a comitiva de empresários e representantes da indústria e agricultura - comandada por Paulo Skaf, presidente da Fiesp, e pelo ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.
"A reunião foi positiva em busca de um entendimento, mas não mostrou avanços concretos na questão agrícola", analisa Roberto Rodrigues. No setor de etanol, "deu-se um sinal claro a todo o mundo sobre a disposição dos dois maiores produtores de avançar", afirma Rodrigues. Já Skaf considera o acesso ao mercado americano fundamental e gostaria de ver a "mais ambição de Susan" ao tratar o tema da redução das tarifas agrícolas da mesma maneira que a representante norte-americana afirma querer nas tarifas industriais. "Se não houver acesso ao mercado americano, não há vantagem para nós. Esperamos que eles flexibilizem as questões tarifárias em breve", analisa Skaf. Segundo ele, a proposta brasileira consiste na redução dos subsídios dados pelos norte-americanos à agricultura para US$ 12 bilhões e na queda das tarifas cobradas na importação de alguns produtos do Brasil, como laranja e açúcar.
Na avaliação de Marcos Jank, presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais e diretor da divisão de Comércio Exterior do departamento de agronegócios da Fiesp, o Brasil deve ser firme e buscar estabelecer limites para os subsídios domésticos. Para o presidente da Fiesp, o Brasil "deve ter uma visão global de País" e realizar a negociação de todos os setores - indústria, agricultura e serviços - em conjunto. Ele considera os dois dias de conversas com a representante comercial dos Estados Unidos extremamente positivos pois mostraram que ambos os países estão em sintonia para chegar a um acordo em relação às negociações da Rodada de Doha.
Fonte: Abit
Concorrência desigual
Há oportunidades de negócio no comércio internacional, mas também concorrência agressiva. E quando o rival é China, um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que poucas empresas sobrevivem a essa disputa por mercados.
Para o Brasil entrar no páreo faltam as prometidas reformas, que, na prática, significam menos impostos e juros menores. Isso daria fôlego ao empresário, que precisa se capitalizar e se modernizar para enfrentar a concorrência chinesa. A indústria brasileira está em alerta. Setores de calçados, eletroeletrônicos e têxteis são os mais afetados.
Nos últimos dois, anos tem sido assim: todos os meses, desembarcam no Brasil toneladas de tecidos e roupas chinesas. Chegam custando até sete vezes menos do que o produto fabricado aqui. Com isso, a indústria brasileira perde fôlego, vende menos - aqui e no exterior – e tem de demitir.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), no ano passado foram fechados cerca de 100 mil empregos. Se nada mudar, a previsão é de que, este ano, o número seja ainda maior.
“Isso poderá gerar a perda de 280 mil postos de trabalho no setor que emprega mais de 1,6 milhão de pessoas”, afirma o diretor da Abit, Fernando Pimentel.
Mas não é só a indústria têxtil que sofre com a chegada dos chineses. Todos os setores da economia já ligaram o sinal de alerta. De acordo com uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI), uma em cada quatro empresas brasileiras enfrenta concorrência chinesa no Brasil, e mais da metade (52%) delas já perdeu espaço no mercado brasileiro por causa disso.
No exterior, o cenário é o mesmo: mais da metade das empresas que exportam esbarram em produtos chineses, quase sempre mais baratos. Resultado: 58% já perderam clientes lá fora para a China, e 6% delas simplesmente desistiram de exportar.
A fórmula do sucesso chinês é conhecida. Lá, os salários são muito baixos, quase não há encargos trabalhistas e o governo chinês ainda oferece bilhões de dólares para ajudar as empresas exportadoras. Por isso, o produto chega tão barato ao Brasil. Isso sem falar que, de acordo com empresários brasileiros, parte da mercadoria chinesa entra no país de forma ilegal e não paga imposto.
O presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Charles Tang, diz que, para ganhar mercado lá fora, o Brasil precisa ser mais eficiente.
“Eu acho que cabe ao Brasil poder concorrer e reduzir seus custos. De porta para dentro, a empresa brasileira é muito eficiente. De porta para fora, com as cascatas de 61 tributos, com a alta taxa de juros exorbitantes e etc., aí é que se torna competitiva”, observa o presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Charles Tang.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, diz que a invasão de produtos chineses já prejudica o crescimento da economia brasileira, mas que não é hora de reclamar.
“Antes de parecer algo sombrio, é uma advertência que nós temos que acelerar nossa agenda de reformas, que precisamos reduzir o custo Brasil, que não podemos esperar indefinidamente pela solução desses problemas. Se quiser ter uma inserção nesse mundo cada vez mais competitivo, o Brasil tem que ter pressa. Não dá para ficar esperando, e muito menos chorando os prejuízos”, disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto.
Para combater a entrada de produtos estrangeiros que driblam a fiscalização e não pagam impostos, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção assinou um convênio com a Receita Federal. O objetivo é identificar fraudes fiscais na entrada e saída de produtos têxteis e de confecção no Brasil.
Fonte: TV Globo (Bom Dia Brasil)
Paulo Skaf, vice-presidente da CNI e presidente da Fiesp, diz que PAC é insuficiente para garantir crescimento econômico
Skaf (segundo sentado, da esq. para dir.) e Monteiro (de pé, ao microfone), durante a reunião: palavra da indústria
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou, nesta quarta-feira, que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é insuficiente para garantir o desenvolvimento sustentado do Brasil. “O PAC traz coisas positivas, mas não é suficiente”, disse, após participar de reunião da bancada do PMDB no Senado para discutir o programa proposto pelo governo. Segundo ele, as medidas previstas no projeto não possibilitarão que o Brasil tenha um crescimento “a taxas acima das médias mundiais, como anseia toda a sociedade brasileira”.
O encontro organizado pelo líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), tinha como objetivo unificar a posição do partido em relação ao PAC. Além dos parlamentares peemedebistas, participaram do almoço de trabalho os ministros Silas Rondeau (Minas e Energia) e Hélio Costa (Comunicações) e o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro.
Reformas estruturais
Skaf foi convidado para apresentar a visão do setor produtivo. Em sua exposição, ele argumentou que sem reformas estruturais, como a da Previdência e a Tributária, o País não seria capaz de manter, por um longo período, taxas de crescimento elevadas.
Em conversa com jornalistas, após a reunião, o presidente da Fiesp demonstrou ceticismo em relação às estimativas de crescimento do governo Lula para 2007. A meta do PAC é chegar a uma taxa de 4,5%. Para Skaf, em 2007, o crescimento ficará em torno de 3%. Ele considera que o País experimentará uma maior aceleração da economia apenas em 2008, quando as medidas do PAC surtirão pleno efeito.
Skaf ponderou, no entanto, que sem as reformas estruturais, sem uma desburocratização das leis e sem maior segurança jurídica, a expansão de 2008 não se manterá. “Essas são as condições para realmente se criar um cenário propício ao crescimento do Brasil”, resumiu o presidente da entidade paulista.
Reunião proveitosa
Raupp considerou o encontro “muito proveitoso e produtivo”. Elogiou as contribuições de Skaf, de Monteiro e dos ministros. Reconheceu que “o PAC talvez não seja a solução para tudo”. Defendeu a necessidade de uma redução da carga tributária e do déficit das contas públicas, medidas que não estão incluídas na proposta de crescimento do governo. Uma das principais críticas de Skaf ao programa é justamente a ausência de medidas mais rigorosas para o controle das finanças públicas.
Fonte: Fiesp
Riachuelo muda modelo de abastecimento
Como parte do projeto, a rede de lojas comprou um sistema aéreo de transporte de mercadorias para o CD de Guarulhos
A Riachuelo, a segunda maior cadeia varejista de roupas do Brasil controlada pela Guararapes (por sua vez, uma das maiores confecções de roupas do país), segue para uma nova etapa do conceito fastfashion, com a implantação de um modelo de abastecimento que vai mudar o modo de trabalhar da empresa na área de vestuário. A operação começa pelo centro de distribuição da empresa em Guarulhos, na Grande São Paulo, e vai envolver 13 lojas e 25 fornecedores. O investimento faz parte do plano estratégico do grupo de dobrar o tamanho da rede de lojas em dez anos.
Hoje, são 88 lojas distribuídas em 23 estados mais o Distrito Federal. A compra do sistema Transportador Aéreo Formove M101, fornecido pela Linx Logística, está entre as providências. O equipamento chega no mês que vem e a estimativa é que entre em operação por volta de junho, explica Jorge Pires Fernandes, gerente de logística da Riachuelo.
No Brasil, outras grandes cadeias varejistas do vestuário usam o sistema Formove, como a Renner, a Lojas Marisa e a Casas Pernambucanas, conta Daniel Mayo, diretor da Linx Logística, empresa que desde 1999 representa no Brasil as soluções da Mostoles, braço de tecnologia do grupo espanhol El Corte Inglês - entre as quais a família Formove.
Modelo tradicional
No modelo atual, os centros de distribuição (CD) da Riachuelo despacham para as lojas tudo o que recebem. "Assim, se eu recebo mil calças, por exemplo, despacho as mil para as lojas. Como não tenho transferência de mercadorias entre lojas, se um item vendeu numa e não vendeu na outra, fico com o estoque desequilibrado. A solução é usar de descontos para liquidar o produto que sobrou", explica Fernandes.
Para atender a essa dinâmica, os armazéns foram adaptados para abrigar boxes, que são unidades de processamento destinadas a cada unidade atendida pelos CDs. Ou seja, cada loja tem um box exclusivo dentro do centro de distribuição para receber e preparar as mercadorias que serão transportadas até o ponto-de-venda.
Na parte de vestuário, as mercadorias chegam em caixas de papelão, separadas em packs de 12 peças, dobradas e embaladas em saco plástico individual. Em linhas gerais, os funcionários abrem as caixas e distribuem os packs para os boxes. Nessas áreas, o pessoal abre o pack, cola a etiqueta de preço em cada peça, põe no cabide, pendura no aparelho e a mercadoria está pronta para ser despachada para as lojas, resume o gerente.
Nova fase
A partir de junho, o CD de Guarulhos, que dispõe de 86 mil metros quadrados para atender a 67 das lojas da rede, começa a implantar o sistema M101 para 13 lojas. Todo o restante continua no modelo atual. E por um bom tempo, os dois modos de operação vão conviver nesse centro de distribuição.
Com o novo sistema, a empresa vai receber as mesmas mil calças do exemplo acima e pode decidir enviar apenas metade delas para as lojas. "A outra metade deixo estocada no equipamento, com o sistema gerenciando. As peças ficarão armazenadas de tal maneira que consigo distribuir de forma rápida em caso de reposição", observa Fernandes. O CD passa a só enviar reposição para as lojas que estão vendendo. "Com isso, otimizo melhor o estoque, reduzo o nível de markdown e rentabilizo mais e melhor o estoque", garante o executivo.
A mudança exige também adaptação por parte dos fornecedores na hora de entregar a mercadoria. Por isso, para a fase inicial, a Riachuelo selecionou um grupo de 25 de um total de 750 fornecedores ativos (a maior parte de vestuário). O processo de etiquetar e pôr as peças no cabide passa a ser responsabilidade do fornecedor. "Assim, quando a mercadoria chegar, basta colocar no transportador, que são as barras aéreas usadas para movimentação da mercadoria (veja foto abaixo), determinando se vai para a área de estocagem ou de distribuição para as lojas. Com isso, elimino toda a parte de processamento das mercadorias no CD", aponta Fernandes. A gestão da movimentação é feita pelo software ao qual o transportador está associado.
Para as 13 lojas do projeto, a Riachuelo vai liquidar o conceito de box. A rede conta com mais um CD de 55 mil metros quadrados, localizado em Natal (RN), para abastecer outras 27 unidades. O projeto envolvendo o sistema Formove não tem um cronograma fixo definido. "O avanço será feito de acordo com os resultados que apurarmos", conclui Fernandes.
Fonte: GBL Jeans































